O debate sobre a valorização dos profissionais da educação tem ocupado espaços centrais nas discussões públicas no Brasil, com comparações entre os diferentes ajustes salariais realizados nos últimos governos federais. Dois momentos se destacam: o reajuste expressivo de 33,24% em 2022, no fim do governo Jair Bolsonaro, e os reajustes mais moderados nos anos seguintes, sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
📌 Governo Bolsonaro (2019-2022): aumento extraordinário no fim do mandato
No início de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro anunciou um reajuste de 33,24% no piso salarial profissional nacional dos professores da educação básica pública, elevando o valor mínimo de R$ 2.886 para R$ 3.845,63. Esse foi, segundo o governo à época, o maior reajuste já concedido desde a criação da lei do piso salarial.
Esse aumento ocorreu em um ano eleitoral e seguiu uma fórmula de cálculo que considerava, principalmente, a arrecadação e o antigo Fundeb. A medida impactou cerca de 1,7 milhão de professores em estados e municípios em todo o Brasil.:
Apesar do alto percentual naquele ano específico, a remuneração dos professores no Brasil ainda é considerada baixa comparada a países desenvolvidos, e muitos educadores e especialistas vinham reivindicando reajustes regulares acima da inflação para recuperar poder de compra perdido ao longo dos anos anteriores.
📌 Governo Lula (2023-presente): reajustes anuais, porém menores
Já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, os reajustes do piso salarial dos professores têm sido mais modestos em comparação com o pico de 33% de 2022:
📍 2023: reajuste de aproximadamente 14,95% no piso do magistério (valor já autorizado por lei, atualizado com base no Fundeb — regra que existe desde 2008).
📍 2024: o piso salarial dos professores foi reajustado em 3,62%, levando o valor mínimo de R$ 4.420,55 para R$ 4.580,57. Esse percentual ficou abaixo da inflação acumulada no período, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
📍 2025: o piso foi novamente ajustado para R$ 4.867,77, com um aumento de 6,27% em relação ao ano anterior.
➡️ Como funciona: os reajustes do piso no governo Lula seguem a legislação existente — a Lei do Piso do Magistério (2008) — que prevê atualização anual com base em parâmetros do Fundeb, em vez de grandes aumentos isolados.
📊 Comparação de impacto
| Governo | Ano do Reajuste | Percentual de Aumento no Piso | Valor Aproximado do Piso |
|---|---|---|---|
| Bolsonaro | 2022 | 33,24% | ~R$ 3.845,63 |
| Lula | 2023 | ~14,95% | (estimado conforme lei do Fundeb) |
| Lula | 2024 | 3,62% | R$ 4.580,57 |
| Lula | 2025 | 6,27% | R$ 4.867,77 |
➡️ Importante destacar: o reajuste histórico de 33,24% aconteceu em um único ano (2022), enquanto os aumentos nos anos subsequentes são anuais, mas menores percentualmente. Isso significa que, apesar de o piso continuar sendo corrigido, os aumentos não têm repetido o mesmo tamanho de forma isolada.
🎓 O que dizem os professores e especialistas
Profissionais de educação e dirigentes sindicais reconhecem a melhora contínua da remuneração, mas também ressaltam que:
- O aumento de 2022 elevou significativamente o piso, mas foi pontual.
- Os reajustes seguintes (2023-2025) ficaram muitas vezes abaixo ou apenas próximos à inflação, o que pode significar pouca recuperação do poder de compra real dos salários.
- Há dificuldades orçamentárias e negociações complexas com estados e municípios, que precisam cumprir o piso nacional dentro de suas capacidades financeiras.
A comparação entre os governos mostra diferenças claras:
✔️ Governo Bolsonaro (2022): elevou o piso do magistério com um reajuste expressivo de 33,24%, o maior da história recente.
✔️ Governo Lula (2023-presente): tem promovido reajustes anuais do piso, porém com percentuais menores (3,6% a 14,9%), seguindo a legislação vigente e ajustando conforme o Fundeb.
Essas diferenças alimentam discussões sobre valorização da carreira docente, ritmo de correção salarial e o papel do governo federal em políticas públicas educacionais. Para muitos educadores, a estratégia de reajustes mais frequentes precisa ser complementada por políticas de valorização da carreira, estrutura de carreira e investimentos educacionais.

