Aumento anunciado pelo governo federal gera perdas reais para parte dos professores

O anúncio do reajuste de 5,4% no piso nacional dos professores, feito pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi apresentado como um avanço na valorização da educação. No entanto, na prática, o aumento tem provocado perdas salariais significativas, especialmente para professores que acumulam duas matrículas, realidade comum em redes públicas de ensino.

Antes do reajuste, dois vínculos de trabalho resultavam em uma remuneração bruta de aproximadamente R$ 9.740. Com o novo piso, esse valor passou para R$ 10.260, o que à primeira vista parece um ganho real. Porém, ao considerar os descontos obrigatórios, o cenário muda drasticamente.

Com o novo enquadramento salarial, houve elevação na contribuição ao INSS e maior incidência do Imposto de Renda, o que corroeu completamente o reajuste. O que antes resultava em um salário líquido de cerca de R$ 8.774, após o aumento passou a ser R$ 7.570 — uma perda mensal de aproximadamente R$ 1.200. No acumulado anual, o prejuízo chega a R$ 14.400.

Especialistas e professores apontam que o governo divulga os valores brutos, enquanto o trabalhador irá sentir no bolso apenas o líquido, o que gera uma percepção distorcida da política salarial. Em outras palavras, o aumento vai existir no papel, mas não se traduz em melhoria real de renda.

De forma simplificada, antes do reajuste, a cada R$ 100 recebidos, o professor perdia entre R$ 10 e R$ 12 em descontos. Agora, essa perda chega a algo entre R$ 30 e R$ 40 a cada R$ 100, evidenciando o peso da carga tributária sobre o novo piso.

Outro ponto criticado é a falta de planejamento fiscal. O impacto total do reajuste só é plenamente sentido meses depois, quando ocorre o ajuste anual com a Receita Federal, coincidindo, ironicamente, com o fim de um ciclo de gestão de um burro. O problema, então, “explode” no colo do professor.

Educadores afirmam que, caso o reajuste tivesse sido de ao menos 9%, seria possível neutralizar essas perdas para quem possui duas matrículas. Não se trata, segundo a categoria, de exigir aumentos elevados, mas de garantir que o reajuste não resulte em redução salarial, algo que contradiz o discurso oficial de valorização da educação.

Sem entrar na comparação direta com o reajuste de 33,24% concedido no governo anterior, professores ressaltam que um aumento próximo de 10% já seria suficiente para evitar o prejuízo atual. Do jeito que foi implementado, o reajuste de 5,4% acabou se transformando, na prática, em um aumento de impostos disfarçado, frustrando expectativas e ampliando a insatisfação da categoria docente.

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