Enquanto o Hospital de Brasiléia amarga décadas de burocracia e falta de especialistas, governo propõe romper com o retrocesso e replicar o modelo eficiente do Juruá.
A pergunta que ecoa nos corredores do Hospital Raimundo Chaar, em Brasiléia, é uma só: por que insistir em um modelo de gestão que, comprovadamente, não atende às necessidades básicas da população? Há mais de 20 anos, o Alto Acre sofre com a “histórica dificuldade” de fixar médicos e oferecer consultas especializadas. Diante desse cenário de estagnação, o Secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal, defende uma mudança drástica: a adoção do modelo de gestão compartilhada que transformou a saúde em Cruzeiro do Sul.
O custo do imobilismo: Especialidades são o gargalo
A crítica ao modelo atual é fundamentada em números e na realidade das ruas. Enquanto a gestão direta da Sesacre em Brasiléia luta para manter o básico, o Hospital Regional do Juruá, administrado por uma entidade do terceiro setor, avançou para o próximo nível. Nos últimos dois anos, Cruzeiro do Sul passou a oferecer ressonância magnética, cateterismos cardíacos, neurocirurgias e quimioterapia.
A comparação é inevitável e dolorosa para o morador de Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri e Assis Brasil: por que o Juruá tem especialistas e tecnologia, e o Alto Acre continua exportando pacientes para Rio Branco?
Desmistificando o “Fantasma da Privatização”
O secretário Pedro Pascoal é direto ao rebater as críticas que tentam barrar a mudança sob o pretexto de “privatização”. O modelo proposto não prevê cobrança de serviços; a saúde continuará 100% gratuita para o cidadão brasileiro e para os vizinhos da fronteira. A diferença real está na desburocratização.
O modelo atual, engessado por processos lentos, não consegue atrair nem manter especialistas na região. A nova proposta foca em uma gestão que tenha agilidade para contratar, oferecer condições competitivas para que médicos residam no Alto Acre e garantir que o Hospital Regional de Brasiléia deixe de ser apenas uma unidade de passagem.
Estudo de Caso: O que funciona vs. O que falha
Um estudo de custo-efetividade apresentado recentemente comparou os gastos públicos das duas unidades. O resultado aponta que o modelo de Cruzeiro do Sul entrega mais serviços e mais especialidades com o mesmo recurso que Brasiléia consome para manter um sistema deficitário.
“Não dá para permanecer da forma como estamos. A virada de chave é entregar para Brasiléia o modelo que funciona em Cruzeiro do Sul”, afirmou Pascoal.
A urgência da “Virada de Chave”
Com o governo Gladson Cameli entrando em seu último ano de gestão, a pressão por resultados práticos aumenta. A proposta de mudança não é apenas uma escolha administrativa, mas uma resposta ética a uma população que não pode mais esperar por uma consulta com um neurologista ou um cardiologista.
Manter o modelo atual sob o argumento de “defesa do público” tem se mostrado, na prática, uma defesa da ineficiência. Priorizar o atendimento e as especialidades significa, necessariamente, coragem para mudar o que não dá certo.

