Justiça ou Crime? Pai é Indiciado após Amarrar e Chicotear Genro em Irecê

O caso, motivado por suspeitas de violência doméstica contra a filha, acende debate sobre “justiça com as próprias mãos” e a eficácia das instituições no interior da Bahia.

Um episódio de violência ocorrido em Irecê, no interior baiano, colocou em xeque os limites da reação familiar e a confiança no sistema jurídico brasileiro. O que começou como uma suspeita de abuso doméstico terminou com um pai indiciado por agressão grave, após ele decidir punir o genro de forma brutal.

O Flagrante do Silêncio

A investigação aponta que a reação do pai não foi impulsiva, mas fruto de uma observação angustiante. Mesmo sob as altas temperaturas da região, a filha do suspeito passou a utilizar roupas compridas e fechadas de forma constante. Ao confrontá-la, o pai descobriu o que as mangas longas tentavam esconder: marcas de agressão física.

Diante da confirmação de que a filha era vítima de abusos recorrentes, o homem optou por não acionar as autoridades de imediato. Em vez disso, rendeu o genro, amarrou-o e aplicou-lhe uma série de chibatadas.

A Justificativa no Tribunal

O caso chegou à Justiça e resultou no indiciamento do sogro por lesão corporal de natureza grave. Durante o depoimento, o pai não negou o ato. Pelo contrário, apresentou uma justificativa que ecoou fortemente na comunidade local:

“Minha intenção era fazer o agressor sentir na pele exatamente o que a minha filha sofreu”, afirmou ele perante o juiz.

Divisão de Opiniões

A repercussão em Irecê e cidades vizinhas reflete uma divisão social profunda:

  • De um lado, há quem defenda a atitude do pai como uma resposta “compreensível” diante da percepção de impunidade e da falha do Estado em proteger mulheres vítimas de violência.
  • De outro, juristas e autoridades alertam para o perigo do retrocesso à “Lei de Talião” (olho por olho), ressaltando que o exercício arbitrário das próprias razões é crime e pode deslegitimar a causa da vítima principal.

O processo segue em tramitação, enquanto o genro — pivô do conflito — também deverá responder pelas acusações de violência doméstica, caso as agressões contra a esposa sejam formalmente comprovadas.

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