O tabuleiro político acreano começa a ganhar novos contornos e, ao que tudo indica, a disputa pelo governo do Estado em 2026 já entrou em ritmo acelerado. Nos bastidores, as articulações avançam e os movimentos recentes deixam claro que ninguém pretende ficar parado assistindo.
A mais recente reviravolta vem do deputado estadual Eduardo Ribeiro, que oficializou sua saída da base do governo Gladson Camelli para declarar apoio ao senador Alan Rick, hoje pré-candidato ao governo. Não é um movimento qualquer. Trata-se de um gesto político com peso, que sinaliza o início de uma reorganização mais ampla.
Alan Rick, aliás, tem motivos para comemorar. Seu nome aparece com frequência à frente nas pesquisas, o que naturalmente atrai aliados e desperta o interesse de lideranças que começam a recalcular suas rotas. Política, como se sabe, é também sobre timing, e o senador parece estar no momento certo.
Outro ponto que chama atenção é a posição do deputado estadual Tadeu Hassem de Brasiléia. Filiado ao Republicanos, mesmo partido de Alan Rick, ele ainda integra a base do governo, mas os sinais são claros: sua permanência nesse campo político parece cada vez mais insustentável. A tendência natural, diante do cenário, é uma migração que pode acontecer mais cedo ou mais tarde e, quando acontecer, terá impacto direto na correlação de forças dentro da Assembleia Legislativa.
Mas talvez o xadrez mais interessante esteja no entorno familiar e político. A ex prefeita de Brasiléia Fernanda Hassem, irmã de Tadeu, ainda não declarou apoio ao senador. Filiada ao PP de Gladson Camelli e ocupando espaço dentro do governo, ela mantém uma postura cautelosa. Porém, nos bastidores, seu nome já circula como possível vice na chapa de Alan Rick, um movimento que, se confirmado, mudaria completamente o peso político da pré-candidatura.
Fernanda, por sua vez, até então ensaiava seus próprios passos rumo à Câmara Federal. Sua pré-candidatura a deputada federal não é novidade, mesmo diante de um cenário familiarmente complexo, já que a sogra, Vanda Milani, também aparece como possível concorrente. É política em sua essência: alianças, interesses e disputas convivendo no mesmo espaço.
No Alto Acre, região que conheço de perto, essas movimentações são acompanhadas com atenção redobrada. Afinal, qualquer mudança nesse jogo pode refletir diretamente na dinâmica local, influenciando apoios, lideranças e o próprio rumo das eleições municipais e estaduais.
O fato é que a base de Alan Rick começa, sim, a ganhar corpo. E quando isso acontece, o efeito dominó é quase inevitável. Outros nomes talvez possam se posicionar nos próximos dias, e o que hoje ainda parece indefinido pode rapidamente se consolidar.
Na política acreana, uma coisa é certa: ninguém fica onde não se sente mais forte.
E, pelo visto, o jogo está só começando.

