Com 40% das intenções de voto, pré-candidato do Republicanos amplia vantagem, enquanto base governista tenta reagir e nomes para vice entram em intensa articulação
A corrida pelo governo do Acre nas eleições de 2026 começa a ganhar contornos cada vez mais definidos, ao mesmo tempo em que os bastidores políticos se mostram aquecidos por disputas estratégicas e articulações de peso. De acordo com a mais recente pesquisa de intenção de voto, o senador Alan Rick desponta na liderança com cerca de 40% da preferência do eleitorado.
Na segunda colocação aparece a vice-governadora Mailza Assis, apontada como candidata da base governista, com aproximadamente 20% das intenções de voto. Já o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, surge em terceiro lugar, com cerca de 15%.
Apesar da força da máquina pública e do capital político do governador Gladson Cameli, que aparece bem posicionado na disputa pelo Senado, o cenário indica que o grupo governista terá dificuldades para levar sua candidata ao segundo turno. A diferença numérica entre Alan Rick e seus adversários reforça a necessidade de uma estratégia mais robusta por parte da base governista.
Tradição eleitoral e cenário desafiador
Historicamente, o eleitor acreano não costuma promover mudanças radicais em suas escolhas políticas, o que torna ainda mais desafiadora a missão de reverter cenários consolidados nas pesquisas. Esse comportamento reforça a vantagem inicial de Alan Rick, que se consolida como principal nome da oposição no momento.
Disputa acirrada pela vice
Se por um lado a liderança de Alan Rick parece consolidada, por outro, a definição de seu companheiro ou companheira de chapa tem gerado intensa movimentação política. Diversos nomes vêm sendo cogitados, evidenciando a importância estratégica da escolha.
Entre os primeiros nomes ventilados esteve o da ex-deputada Jéssica Sales. No entanto, seu pai e principal articulador político, o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Vagner Sales, optou por alinhar o MDB à candidatura de Mailza Assis, encerrando essa possibilidade.
Na sequência, ganhou força o nome da ex-prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem, que deixou a base do governo estadual, mesmo sendo filiada ao Progressistas, para apoiar Alan Rick. Sua decisão foi acompanhada pelo irmão, o deputado estadual Tadeu Hassem, já filiado ao Republicanos desde sua primeira eleição.
Outro nome que entrou na disputa foi o do prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, ex-deputado federal e também egresso da base governista, reforçando o movimento de lideranças que migraram para o campo oposicionista.
A movimentação ganhou novos contornos com a possível entrada do prefeito de Epitaciolândia, Sérgio Lopes. Segundo informações de bastidores, Lopes não teria reagido bem à possibilidade de Fernanda Hassem ocupar a vaga de vice e chegou a cogitar romper com Alan Rick, sinalizando até uma possível aproximação com o grupo de Gladson Cameli, caso a composição não lhe fosse favorável.
Mais recentemente, surgiu também o nome de Ana Paula Correia, ex-primeira-dama do estado e hoje esposa do deputado estadual Emerson Jarude, ampliando ainda mais o leque de possibilidades e mostrando que a disputa pela vaga segue em aberto.
Eleição promete ser atípica
Diante desse cenário, a eleição de 2026 no Acre se desenha como uma das mais imprevisíveis dos últimos anos. Com um candidato em vantagem nas pesquisas, uma base governista pressionada e uma disputa interna intensa pela composição das chapas, o pleito deve ser marcado por reviravoltas e alianças estratégicas.
A oposição aposta no desgaste natural de dois mandatos consecutivos do atual governo, enquanto a base governista trabalha para manter o legado da gestão de Gladson Cameli.
Nos próximos meses, a definição das alianças e, principalmente, a escolha dos candidatos a vice devem ser decisivas para consolidar forças e definir os rumos da disputa eleitoral no estado.

