FONTE: O ALTO ACRE
A menos de um mês após a autorização do novo governo boliviano para que motoristas estrangeiros abasteçam nos postos de gasolina de Cobija, capital do departamento de Pando, surgiram sérias preocupações sobre a qualidade do combustível, especialmente gasolina e diesel.
Com a chegada de um grande número de veículos brasileiros atraídos pelos preços mais baixos, começaram a aparecer relatos de problemas relacionados ao abastecimento. A Confederação Sindical dos Motoristas da Bolívia confirmou que as queixas se espalharam por todo o país, com o líder da entidade, Victor Tarqui, afirmando que “as denúncias choveram a nível nacional” e prometendo apresentar evidências em uma reunião com o Ministério dos Hidrocarbonetos.
Edson Valdez, da Federação Departamental de Motoristas Primeiro de Maio, em La Paz, revelou que mais de 100 reclamações formais foram registradas, apontando falhas mecânicas e danos aos veículos devido à má qualidade do combustível. O setor de transporte exige explicações e inspeções surpresa nos postos.
As autoridades e representantes do setor consideraram “absurda” a justificativa do Ministério dos Hidrocarbonetos, que atribuiu os problemas à gestão anterior e ao estado dos tanques após meses de uso. Diante dessa situação, líderes do setor pedem que a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) se responsabilize pelos danos causados aos veículos.
Em Cobija, a Federação de Transporte Auto 11 de Outubro também relatou diversas falhas mecânicas ligadas à qualidade do combustível. Ysmael Salvatierra, dirigente da federação, alertou que, se não houver uma solução rápida, a categoria pode declarar estado de emergência e iniciar protestos para chamar a atenção do governo nacional. Ele enfatizou que a continuidade deste problema pode ter um impacto significativo no transporte e na economia local, afetando tanto motoristas bolivianos quanto estrangeiros que abastecem na região de fronteira.

