Morre em Brasiléia João do Pastelão, figura emblemática que marcou gerações com simplicidade e carisma

Brasiléia amanheceu mais silenciosa com a notícia da morte de uma de suas figuras mais emblemáticas e queridas. Faleceu João Rodrigues da Costa Filho, conhecido popularmente como João do Pastelão, empreendedor popular que entrou para a história do município por transformar um simples lanche em um verdadeiro ponto de encontro social.

João ficou conhecido por uma iniciativa rara: vender pastel a apenas R$ 1, tornando o lanche acessível a todas as classes sociais no inicio dos anos 2000. Em sua lanchonete, era comum ver, lado a lado, pessoas da classe alta e da classe mais humilde da cidade, todas unidas pelo mesmo ambiente, pelo mesmo sabor e, principalmente, pelo mesmo sorriso de João, sempre bem-humorado, acolhedor e dono de um carisma inconfundível.

Durante anos, sua lanchonete foi ponto obrigatório, especialmente nos anos 2000, quando o local vivia lotado, principalmente aos domingos. Muitos adultos de hoje, na faixa dos 40 anos, guardam na memória o esforço feito para conseguir um real no bolso e garantir o lanche no Pastelão, experiência que marcou a adolescência de toda uma geração em Brasiléia.

João tinha 62 anos, deixa quatro filhos e três netos, além de uma história construída com trabalho, simplicidade e perseverança. Em tom quase folclórico, anos atrás chegaram a circular boatos de que ele teria morrido, informação que se espalhou pela cidade e depois foi desmentida. Desta vez, porém, a notícia é verdadeira e entristece toda a cidade.

Em 2025, João, ao lado da esposa e dos filhos, decidiu encerrar as atividades da lanchonete após mais de 20 anos de funcionamento, alegando cansaço da rotina diária. Mesmo com o fechamento do empreendimento, sua trajetória já estava definitivamente gravada na memória coletiva do município.

Além de empreendedor, João também foi servidor da Prefeitura de Brasiléia. No início dos anos 1990, atuou como soldador, profissão que dominava com habilidade. Anos depois, retornou ao serviço público durante a gestão da prefeita Leila Galvão, quando, além da solda, passou a ser visto pelas ruas da cidade dirigindo um caminhão de coleta de entulho, um Mercedes 710 velho, todo torto, difícil de conduzir, mas “só João conseguia dirigir”.

Mais do que um vendedor de pastéis, João do Pastelão foi um símbolo de inclusão, trabalho honesto e convivência social. Ele deixa uma marca profunda, uma história construída com esforço e um legado que Brasiléia não pode permitir que se apague.

A cidade se despede de João, mas sua memória seguirá viva em cada lembrança, em cada conversa nostálgica e no coração de todos que, um dia, atravessaram a cidade com uma moeda no bolso para lanchar no Pastelão.

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