FONTE: JORNAL O ALTO ACRE
Após quase dez horas de julgamento, o Tribunal do Júri condenou, nesta quarta-feira (15), os quatro réus acusados de participação na chacina que vitimou três jovens em Brasiléia, no Alto Acre, em abril de 2022. As penas aplicadas aos condenados somam 221 anos de prisão, encerrando uma das ações penais de maior repercussão na história recente da região de fronteira.
O crime ocorreu em meio à escalada da violência provocada pela disputa entre facções criminosas pelo controle de territórios no Acre. Na ocasião, homens armados invadiram uma residência na Rua São Peregrino, no bairro Leonardo Barbosa, e executaram três pessoas a tiros.
As vítimas foram Lucas Barbosa Bandeira, de 23 anos, Wanderson Souza e Silva, de 18, e o adolescente André Gustavo Sales de Oliveira, de 16 anos. Conforme apontaram as investigações, os criminosos chegaram ao imóvel fingindo ser policiais para facilitar a entrada na casa. Depois de renderem os moradores, efetuaram diversos disparos contra as vítimas, que morreram no local.
A apuração do caso foi conduzida pela Polícia Civil, com o apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), do Núcleo de Inteligência da corporação e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O inquérito concluiu que os acusados faziam parte da organização criminosa Comando Vermelho (CV) e que o triplo homicídio estava relacionado à guerra entre facções na região de fronteira.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu a tese apresentada pela acusação e reconheceu a participação dos quatro réus na execução das vítimas. Com isso, Natanael do Nascimento Salgueiro, conhecido como “Natan”, foi condenado a 68 anos de prisão. Cleudo Freitas Rodrigues, apelidado de “Telzinho” ou “Flog”, recebeu pena de 54 anos. Gabriel Sombra de Andrade foi sentenciado a 24 anos de reclusão, enquanto Junior Borges recebeu a condenação mais severa, de 75 anos de prisão.
Somadas, as penas chegam a 221 anos de reclusão, representando um importante desfecho judicial para um dos episódios mais violentos registrados no Alto Acre. A decisão reforça a atuação do sistema de Justiça no combate ao crime organizado e na responsabilização dos envolvidos em homicídios relacionados aos conflitos entre facções criminosas que marcaram a região nos últimos anos.

