Flávio Dino autoriza PF a acessar provas de ONG ligada a filme de Bolsonaro

REDE TV

Investigação apura se emendas parlamentares financiaram a produção “Dark Horse”

A Polícia Federal (PF) vai ter acesso a elementos reunidos pela Polícia Civil de São Paulo durante busca e apreensão no Instituto Conhecer Brasil (ICB), que é ligado à produtora do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são do g1. 

Os dados encontrados pelos policiais paulistas vão ser analisados no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a suspeita de que emendas parlamentares podem ter abastecido a produção “Dark Horse”.

O compartilhamento do material foi autorizado pelo ministro Flávio Dino no dia 21 de agosto. A decisão é sigilosa e foi revelada pelo Jornal O Globo.

Em junho, a ONG foi alvo da Operação Wi-Fi, que apura a suspeita de fraude em um contrato com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano.

A corporação estadual investiga se parte dos recursos foi desviada para financiar a obra audiovisual.

Ao STF, os investigadores federais argumentaram que a entidade está no centro da apuração sobre emendas.

A corporação apontou que os elementos recolhidos em endereços do grupo, da empresária Karina Ferreira da Gama — dona do instituto e sócia da produtora Go UP — e de outras empresas podem ajudar a aprofundar e acelerar o caso.

A ideia é que os agentes possam analisar dados de computadores, celulares, documentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e registros financeiros relevantes para o inquérito.

A decisão liberou o acesso a dados brutos e a relatórios já produzidos sobre as mídias apreendidas.

O relator considerou que o pedido e a justificativa apresentados eram pertinentes e estavam de acordo com o entendimento da Corte para esse tipo de compartilhamento.

O inquérito foi aberto depois que o magistrado pediu uma apuração da Controladoria-Geral da União sobre repasses dos deputados Mário Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis.

As emendas foram destinadas ao ICB e à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades alegadamente vinculadas a um mesmo núcleo de gestão coordenado por Gama.

A PF está detalhando todas as relações empresariais da investigada e de suas companhias, além de analisar eventuais doações eleitorais relacionadas aos envolvidos.

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