Contrato ligado à família de Alexandre de Moraes com Banco Master previa pagamentos de R$ 131 milhões

Um contrato firmado entre o Banco Master, então comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, e a Barci de Moraes Sociedade de Advogados, escritório liderado pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), previa pagamentos que poderiam alcançar aproximadamente R$ 131 milhões.

Segundo informações divulgadas pelo Estadão e pelo portal Metrópoles, o acordo foi concluído no início de 2024, após dois encontros presenciais entre Moraes e Vorcaro, realizados no fim de 2023. As reuniões teriam sido articuladas pelo ex-deputado federal e ex-ministro das Comunicações Fábio Faria e foram mencionadas em relatório produzido pela Polícia Federal.

O contrato estabelecia a prestação de serviços jurídicos ao Banco Master pelo período de 36 meses. O escritório receberia R$ 3 milhões líquidos mensalmente, totalizando R$ 108 milhões. Com a inclusão dos tributos que ficariam sob responsabilidade do contratante, entretanto, o custo bruto previsto chegava a cerca de R$ 131,2 milhões — aproximadamente R$ 3,64 milhões por parcela.

Entre os serviços previstos estavam consultoria jurídica e estratégica em procedimentos e inquéritos conduzidos pelas polícias Federal e Civil, além de processos administrativos perante o Banco Central, a Receita Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O escritório também poderia representar o banco em processos judiciais nas diferentes instâncias do Poder Judiciário e atuar na implantação, no acompanhamento e no aperfeiçoamento permanente de programas de integridade. Os detalhes foram divulgados pelo colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles.

Documentos apontam repasses superiores a R$ 80 milhões

Documentos fiscais encaminhados à CPI do Crime Organizado, no Senado Federal, registram pagamentos realizados pelo Banco Master ao escritório entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.

Conforme os dados apresentados à comissão, o banco declarou à Receita Federal 22 pagamentos, que somaram R$ 80.223.653,84. Cada repasse teria sido de aproximadamente R$ 3,64 milhões, valor correspondente aos honorários líquidos acrescidos dos encargos tributários.

Em manifestações anteriores, a Barci de Moraes Sociedade de Advogados declarou que não confirmava as informações divulgadas, classificando-as como incorretas e provenientes de vazamento ilícito de dados protegidos por sigilo fiscal.

Após as novas revelações, o escritório informou que Alexandre de Moraes teria sido consultado antes da assinatura para verificar possíveis impedimentos legais. A banca também afirmou que o ministro nunca julgou processos relacionados ao Banco Master.

PF apura contatos entre Vorcaro e Moraes

De acordo com as reportagens baseadas no relatório da Polícia Federal, Daniel Vorcaro teria procurado Alexandre de Moraes em busca de auxílio em assuntos envolvendo o Banco Master.

O banqueiro teria solicitado que o ministro intercedesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os contatos e as circunstâncias envolvendo o contrato passaram a integrar as apurações sobre as relações mantidas por Vorcaro com autoridades e escritórios de advocacia.

As informações fazem parte de uma investigação em andamento. Até o momento, a existência do contrato e dos pagamentos, por si só, não representa conclusão definitiva sobre eventual prática criminosa ou irregularidade por parte dos envolvidos.

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