Alcolumbre critica volume de pedidos contra ministros do STF e evita falar sobre caso Moraes

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), demonstrou insatisfação com a quantidade de pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Questionado sobre as novas informações envolvendo Alexandre de Moraes, o senador preferiu não avaliar o caso.

A pressão sobre Alcolumbre aumentou após a divulgação de informações sobre a relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo reportagem do Estadão, o ministro teria participado da edição da versão final de um contrato firmado entre o banco e a Barci de Moraes Sociedade de Advogados, comandada por Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.

O acordo previa a prestação de serviços jurídicos por 36 meses. O valor líquido seria de R$ 108 milhões, dividido em parcelas mensais de R$ 3 milhões. Com os encargos tributários assumidos pelo contratante, o custo total poderia chegar a aproximadamente R$ 131 milhões.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro também levantaram suspeitas sobre a proximidade entre o banqueiro e o ministro. Conforme as reportagens, os registros indicariam contatos e um possível encontro entre os dois pouco antes da prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025. O conteúdo e as circunstâncias desses contatos continuam sendo apurados.

Oposição anuncia novo pedido de impeachment

Diante das revelações, parlamentares da oposição anunciaram a apresentação de mais um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.

A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. Entretanto, cabe ao presidente da Casa decidir se aceita, arquiva ou mantém sem andamento as solicitações protocoladas.

Ao deixar o Senado na noite desta terça-feira, 1º de setembro, Alcolumbre foi questionado sobre o novo requerimento contra Moraes. O presidente da Casa criticou a quantidade de iniciativas semelhantes apresentadas por parlamentares.

“Não é normal 109 solicitações do Congresso envolvendo os dez ministros do Supremo, com pedidos de impeachment de ministros do STF”, declarou.

Perguntado se considerava grave a crise envolvendo Alexandre de Moraes, Alcolumbre evitou manifestar qualquer opinião: “Eu não acho nada, eu não devo achar.”

Presidente do Senado evita responder

Pouco antes, ainda no plenário, Alcolumbre já havia se recusado a responder às perguntas do Estadão. A reportagem tentou saber se ele pretendia dar andamento a alguma das solicitações apresentadas contra Moraes e se avaliava como graves as mensagens encontradas pela Polícia Federal.

Naquele momento, Alcolumbre estava acompanhado do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), e seguia para uma reunião destinada a discutir a medida provisória relacionada à cobrança conhecida como “taxa das blusinhas”.

Ao afirmar que concentraria sua atenção na proposta, o presidente do Senado respondeu: “Esse é o meu andamento.” Randolfe acrescentou: “Vamos cuidar da blusinha.”

Até o momento, Alcolumbre não indicou se pretende analisar o novo pedido apresentado pela oposição. A ausência de uma posição mantém a decisão nas mãos da Presidência do Senado e amplia a cobrança de parlamentares para que a Casa se manifeste sobre as denúncias envolvendo o ministro.

As informações sobre Moraes, Vorcaro e o contrato permanecem sob apuração e não constituem, isoladamente, comprovação de crime ou fundamento automático para afastamento.

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