Dados de controle de acesso do residencial onde fica a residência oficial da governadora do Acre, Mailza Assis, mostram que a servidora comissionada Eryclis Feitosa Sá da Silva teve suas entradas liberadas em 12 dos 14 dias avaliados entre o final de agosto e o início de setembro de 2026. Ao todo, foram contabilizados 36 registros biométricos em diferentes turnos, incluindo fins de semana.
Lotada no Gabinete da Governadora por meio da Casa Civil, com carga horária de 40 horas semanais e salário bruto de R$ 7,8 mil em julho, a servidora tornou-se alvo de uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC) protocolada pelo partido Republicanos.
A acusação, formulada por opositores políticos, aponta que Eryclis exerceria funções particulares para a família da gestora. Segundo a denúncia, ela teria sido cadastrada em abril no sistema do condomínio sob a categoria de “prestador” e descrita como “motorista das crianças”, vinculada a Madson Cameli, marido da governadora.
Por sua vez, o governo do Estado e a Casa Civil rejeitam qualquer acusação de desvio para fins particulares. A gestão contesta a eficácia jurídica dos registros condominiais para atestar irregularidades e sustenta que a funcionária executa tarefas legítimas de direção, apoio operacional e logística exigidas pela dinâmica da residência oficial.
Especialistas apontam que os registros de portaria documentam apenas o fluxo de entrada, não substituindo o controle formal de frequência e nem atestando automaticamente um desvio funcional. No entanto, a alta constância das visitas exige esclarecimentos aprofundados. O deslinde do caso no TCE-AC exigirá a verificação cruzada de escalas de serviço, folhas de ponto oficiais e detalhamento das atribuições do cargo para confrontar a rotina no imóvel com as obrigações públicas da servidora.

