Segundo as investigações, suspeitas teriam utilizado atividades de evangelização para acessar unidade prisional, transmitir recados e manter relações com integrantes do Comando Vermelho
Uma investigação conduzida por forças de segurança de Mato Grosso aponta que mulheres ligadas ao projeto religioso “Resgatando Vidas” teriam utilizado atividades de assistência religiosa como forma de obter acesso à Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Segundo os investigadores, o ingresso na unidade teria permitido a manutenção de contatos com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho.
As apurações são conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Conforme os elementos reunidos no caso, as investigadas teriam aproveitado o credenciamento para ações de evangelização para manter contatos financeiros, transmitir mensagens e estabelecer relacionamentos afetivos com detentos apontados como lideranças da organização criminosa.
Conversas de WhatsApp obtidas durante a investigação estão entre os elementos utilizados pelas autoridades. Em uma delas, uma das investigadas comenta sobre visitas a diferentes presos e afirma que faria isso de forma alternada para evitar conflitos entre eles.
A expressão “vai ser um por um”, registrada em uma dessas conversas, chamou a atenção dos investigadores. Segundo a apuração, as mensagens indicariam uma espécie de revezamento nas visitas de caráter afetivo aos detentos.
Além das mulheres investigadas, pessoas ligadas a atividades religiosas também passaram a ser alvo das apurações. A suspeita é de que integrantes do grupo tenham contado com auxílio para conseguir credenciamento e acesso às unidades prisionais.
O Ministério Público denunciou envolvidos no caso por crimes que incluem organização criminosa e lavagem de dinheiro. As acusações, no entanto, ainda dependem da análise e do julgamento pelo Poder Judiciário, cabendo aos denunciados o direito de defesa.
Diante dos elementos apresentados durante a investigação, a Justiça também determinou que os investigados não participem de atividades de assistência religiosa dentro das unidades do sistema penitenciário de Mato Grosso.
O caso segue sob acompanhamento das autoridades e deverá avançar com a análise das provas reunidas durante as investigações.

