Moradora de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, a supercentenária teve a idade comprovada após uma complexa varredura em cartórios e registros paroquiais.
ITAPERUNA (RJ) — Com um século e duas décadas de histórias para contar, Deolira Glicéria Pedro da Silva acaba de ter sua trajetória oficialmente coroada pela história e pelos registros oficiais. Aos 121 anos, ela foi reconhecida pelo RankBrasil como a mulher mais idosa do país. A marca impressionante não apenas coloca a moradora de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, no topo da longevidade nacional, como também abre uma janela rara para o Brasil do início do século XX.
Alcançar a certificação oficial, no entanto, foi um desafio à parte. A confirmação da idade de dona Deolira exigiu uma verdadeira força-tarefa documental, mobilizando buscas minuciosas em cartórios da região e em instituições religiosas. A empreitada esbarrou em obstáculos físicos severos: parte dos registros originais de nascimento e batismo havia sido destruída ou perdida em uma enchente histórica que atingiu o município décadas atrás. A reconstrução de sua linha do tempo exigiu paciência, cruzamento de dados e persistência dos familiares e pesquisadores.
Em meio a séculos de transformações sociais, tecnológicas e políticas no país, a rotina e as preferências de dona Deolira mantêm a simplicidade que parece desafiar o tempo. Longe de fórmulas mágicas ou regimes restritivos modernos, a chave para sua longevidade é explicada pela família através de velhos hábitos e de uma vida conectada à terra. Dorotea Ferreira, neta e cuidadora, resume o segredo com um sorriso e um toque de afeto cotidiano, revelando que a avó não abre mão de seus pequenos prazeres: “Ela só gosta de coxinha e guaraná”.
Mais do que o salgadinho festivo e o refrigerante que pontuam seu cardápio, a família associa a impressionante vitalidade da supercentenária à alimentação natural que marcou a maior parte de sua vida, construída com base em produtos frescos, sem os aditivos e industrializados que dominam a dieta contemporânea.
A história de Deolira Glicéria Pedro da Silva transcende o recorde oficial e o título nacional. Ela permanece viva e lúcida em Itaperuna, como um testemunho ambulante do passado brasileiro, unindo gerações e provando que, às vezes, a longevidade caminha lado a lado com a simplicidade das coisas que alimentam o corpo e a alma.

