A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), acionou as autoridades após cartazes anônimos com acusações falsas sobre a morte de seu marido, o empresário Fernando Lucena, serem espalhados por ruas do Bairro do Recife, na região central da capital pernambucana.
Um dos materiais afirmava que Raquel teria matado o marido para vencer as eleições de 2022. Outras peças apresentavam montagens com a imagem da governadora ao lado de mulheres condenadas pelo assassinato de seus companheiros, numa tentativa de associá-la a crimes sem qualquer comprovação.
Fernando Lucena morreu aos 44 anos, no dia do primeiro turno das eleições estaduais de 2022, após sofrer um mal súbito. A morte ocorreu por causas naturais e não existe qualquer suspeita de ação criminosa envolvendo a governadora. Naquela disputa, Raquel avançou para o segundo turno e foi eleita a primeira mulher a governar Pernambuco.
Abalada, Raquel publicou um vídeo nas redes sociais pedindo respeito à memória do marido, aos filhos e à dor enfrentada pela família. A campanha classificou o episódio como violência política e afirmou que os ataques ultrapassaram os limites do debate eleitoral.
A governadora registrou boletins de ocorrência na Polícia Civil e na Polícia Federal. Sua coligação também solicitou ao Ministério Público Eleitoral a abertura de uma investigação para identificar os responsáveis pela produção, financiamento e distribuição dos cartazes.
Entre as providências requeridas estão a preservação e análise de imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades dos locais onde o material foi encontrado. Os advogados também pediram diligências para localizar a gráfica, a empresa ou os fornecedores responsáveis pela impressão das peças. A Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado. Folha de S.Paulo
Principal adversário de Raquel na disputa pelo Governo de Pernambuco, João Campos (PSB) repudiou publicamente os ataques. Ele lembrou que também perdeu o pai, Eduardo Campos, durante uma campanha eleitoral e afirmou não admitir que tragédias familiares sejam utilizadas como instrumento de disputa política.
A coligação de João Campos negou qualquer envolvimento com os cartazes e também pediu ao Ministério Público Eleitoral que investigue o episódio. O político declarou ainda que adotará medidas judiciais contra quem tentar atribuir a produção do material à sua campanha sem apresentar provas.
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco determinou a retirada de publicações nas redes sociais que sugeriam que o grupo político de João Campos seria responsável pelos cartazes. Entre os conteúdos removidos estava uma postagem do deputado federal Mendonça Filho, que posteriormente publicou uma nova mensagem de solidariedade à governadora.
O episódio elevou a tensão da campanha eleitoral pernambucana e provocou manifestações de repúdio de diferentes setores políticos. As autoridades agora procuram identificar quem produziu e espalhou os materiais, além de esclarecer se houve participação de grupos ou agentes ligados à disputa eleitoral. UOL

