Polícia investiga listas com fotos de mulheres e conteúdo sexual; caso semelhante pode ter ocorrido no Alto Acre

FONTE: AC 24 HORAS

Material que circulou entre estudantes teria reunido imagens de mais de 60 mulheres, algumas possivelmente adolescentes; há informação de episódio semelhante na região do Alto Acre, mas eventual ligação entre os casos ainda precisa ser apurada

A Polícia Civil do Pará investiga a circulação de listas contendo nomes e fotografias de dezenas de mulheres acompanhadas de avaliações e classificações de caráter sexual. O material teria sido compartilhado em ambientes virtuais frequentados por estudantes de instituições particulares de ensino superior de Belém e provocou indignação pela forma como as vítimas foram expostas.

De acordo com as informações registradas em boletim de ocorrência, mais de 60 mulheres teriam aparecido nas listas. As fotografias, supostamente retiradas de perfis públicos do Instagram sem autorização das pessoas retratadas, eram utilizadas para a elaboração de uma espécie de “ranking”, no qual as jovens recebiam classificações de cunho sexual e ofensivo.

Entre as expressões utilizadas no material estaria a palavra “comível”, empregada para classificar algumas das mulheres. O conteúdo teria circulado em grupos e espaços virtuais ligados a universitários, e, conforme o relato apresentado às autoridades, um estudante de Medicina estaria entre as pessoas envolvidas na circulação do material.

Outro aspecto que aumenta a gravidade do episódio é a informação de que nem todas as mulheres expostas seriam maiores de idade. Há relatos de que adolescentes, inclusive jovens ligadas a escolas de ensino médio, também teriam aparecido no material. Essa circunstância deverá ser analisada pelas autoridades durante as investigações.

O episódio chegou oficialmente ao conhecimento da Polícia Civil depois que o estudante Bruno César procurou as autoridades e registrou um boletim de ocorrência por meio da Delegacia Virtual. Inicialmente, o registro teria sido enquadrado como difamação.

Segundo o relato, Bruno tomou conhecimento de uma primeira lista enquanto participava de um ambiente virtual com amigos. Ao perceber o teor das publicações, teria chamado a atenção de um dos participantes para a gravidade da situação e para as possíveis consequências decorrentes da exposição das mulheres.

O alerta, porém, aparentemente não encerrou a prática. Posteriormente, uma segunda relação, novamente contendo dezenas de fotografias retiradas de perfis do Instagram, teria sido produzida e compartilhada.

A situação ganhou contornos ainda mais pessoais para o denunciante quando ele identificou duas primas entre as mulheres que apareciam no material.

Possível episódio semelhante no Alto Acre precisa ser apurado

O caso também desperta atenção na região do Alto Acre. Informações que chegaram ao conhecimento deste veículo apontam que pelo menos um episódio com características semelhantes pode ter ocorrido na região, envolvendo a possível exposição e classificação de mulheres em ambiente virtual.

Neste momento, entretanto, não há confirmação de que o possível caso registrado no Alto Acre tenha qualquer ligação com os episódios investigados no Pará. Também será necessário verificar se existe relação entre as pessoas envolvidas, os grupos utilizados para o compartilhamento do conteúdo ou se se trata de uma ocorrência independente com características parecidas.

A eventual conexão, portanto, depende de apuração e de elementos concretos que possam demonstrar algum vínculo entre os episódios. Até que isso aconteça, não é possível afirmar que os casos façam parte de uma mesma rede ou tenham sido praticados pelas mesmas pessoas.

A investigação no Pará deverá buscar identificar quem produziu as listas, quem participou de sua divulgação, quais foram os ambientes virtuais utilizados e a extensão do compartilhamento das fotografias.

O episódio chama atenção ainda para os riscos da utilização de fotografias disponíveis publicamente nas redes sociais. O fato de uma imagem estar acessível em um perfil aberto não significa autorização para que terceiros a utilizem para expor, constranger ou atribuir classificações de natureza sexual à pessoa retratada.

No caso do Alto Acre, caberá agora verificar a procedência das informações e, principalmente, se o episódio mencionado possui algum ponto de contato com o material que está sendo investigado pelas autoridades paraenses.

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