Representação pede multa de R$ 25 mil para cada candidata e considera determinados gestos como manifestação eleitoral antecipada; episódio reacende debate sobre os limites entre demonstrações políticas e campanha fora de época
A disputa pelo Governo do Acre começa a ganhar contornos jurídicos antes mesmo de a campanha eleitoral entrar definitivamente nas ruas. A Coligação Trabalho da Esperança, formada por Republicanos, PSD, NOVO e Avante e que apoia a candidatura do senador Alan Rick ao governo estadual, protocolou uma Representação Eleitoral no Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) contra a candidata a governadora Mailza Assis (PP) e sua candidata a vice, Jéssica Sales.
Na ação, a coligação acusa Mailza e Jéssica de suposta prática de propaganda eleitoral antecipada positiva e pede que a Justiça Eleitoral aplique multa individual de R$ 25 mil a cada uma das representadas, valor próximo ao limite máximo previsto para esse tipo de penalidade.
O caso chama atenção não apenas pelo embate jurídico entre grupos adversários, mas também pela interpretação adotada sobre aquilo que poderia ou não caracterizar propaganda eleitoral antes do período permitido pela legislação.
A iniciativa da coligação de Alan Rick abre espaço para um questionamento inevitável: até que ponto gestos, manifestações públicas ou demonstrações políticas podem ser automaticamente interpretados como campanha eleitoral antecipada?
Em uma eleição que promete ser bastante disputada no Acre, recorrer à Justiça Eleitoral faz parte dos instrumentos legítimos colocados à disposição de partidos e coligações. Entretanto, quando gestos políticos passam a ser tratados como possível irregularidade eleitoral, a discussão pode assumir contornos um tanto constrangedores, especialmente quando não há um pedido explícito de voto.
É evidente que cabe ao TRE-AC e não aos adversários políticos, estabelecer se houve efetivamente violação da legislação. A apresentação da representação, por si só, não significa que Mailza Assis ou Jéssica Sales tenham cometido qualquer irregularidade.
O episódio também demonstra que a eleição estadual tende a ser travada em diferentes frentes. Além da busca pelo voto e da apresentação de propostas à população acreana, os principais grupos políticos começam a levar suas divergências para o campo jurídico.
A fiscalização do cumprimento das regras eleitorais é necessária e fundamental para garantir equilíbrio entre os concorrentes. Por outro lado, transformar todo gesto ou manifestação de natureza política em suspeita de campanha antecipada pode contribuir para uma judicialização excessiva do processo eleitoral.
Agora, caberá ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre analisar os argumentos apresentados pela Coligação Trabalho da Esperança e decidir se os fatos apontados realmente ultrapassaram os limites permitidos pela legislação ou se permaneceram dentro do exercício normal da atividade política.
Enquanto a Justiça Eleitoral avalia o caso, uma coisa fica evidente: a temperatura da disputa pelo Governo do Acre já começa a subir — e, desta vez, antes mesmo de o eleitor entrar oficialmente no clima da campanha.

