Na teoria política, os discursos oficiais costumam exaltar a união partidária e a equidade na condução dos projetos eleitorais. Contudo, quando os dados financeiros das campanhas começam a ser revelados pelas plataformas da Justiça Eleitoral, a prática expõe com nitidez quais nomes desfrutam de prioridade junto ao comando das legendas e quais acabam relegados a segundo plano.
É essa leitura detalhada que passa a dominar os bastidores do MDB no Acre, impulsionada pelos primeiros registros de repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) disponibilizados por meio do sistema DivulgaCand. Os números revelam um abismo financeiro na distribuição de verbas entre os postulantes da sigla à Assembleia Legislativa do Estado.
Disparidade nos Montantes e Prioridades Familiares
De acordo com os demonstrativos financeiros iniciais, a deputada estadual Antônia Sales, que busca a renovação de seu mandato e é esposa do presidente estadual do MDB, Vagner Sales, figura com uma destinação inicial de R$ 530 mil para impulsionar sua campanha à reeleição. Outros nomes da nominata, como o deputado estadual Tanízio Sá, também contemplado, aparecem com valores expressivos — no caso de Tanízio, R$ 350 mil.
Em contrapartida, a ausência de recursos para outras figuras de peso na legenda tem gerado forte repercussão interna. É o caso de Marcus Alexandre. Ex-prefeito de Rio Branco por dois mandatos e com histórico de expressivo recall eleitoral no estado, Marcus deixou os quadros do Partido dos Trabalhadores (PT) a convite do saudoso ex-presidente estadual do MDB, Flaviano Melo, falecido recentemente.
A despeito de sua relevância política e da expectativa gerada em torno de sua migração para a nova legenda, o candidato a deputado estadual não registrou, até o corte preliminar dos dados oficiais, nenhum repasse financeiro oriundo do fundo partidário gerido pela atual presidência.
Mal-estar nos Bastidores
A discrepância escancarada pelos números alimenta correntes de insatisfação e questionamentos sobre os critérios de distribuição adotados pela cúpula partidária. Enquanto aliados diretos da alta cúpula recebem recursos robustos para estruturar equipes, publicidade e logística de campanha, nomes egressos de outras correntes políticas — que ingressaram na sigla sob promessas de integração e fortalecimento coletivo — enfrentam restrições orçamentárias severas.
Embora as direções partidárias possuam autonomia legal para definir as estratégias de rateio do FEFC — respeitadas as obrigatoriedades de cotas —, o reflexo político da assimetria financeira pressiona o comando do MDB a prestar esclarecimentos à militância e aos próprios candidatos, em um momento em que a coesão interna deveria ser a tônica da reta final rumo às urnas.

