FONTE: AC 24 HORAS
O colapso da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, ocorrido no último dia 5 de junho, gerou desdobramentos que vão muito além do isolamento geográfico de comunidades. O episódio expôs uma fragilidade latente na base aliada do governo do Estado na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), permitindo que a oposição tomasse as rédeas da fiscalização.
Em uma articulação bem-sucedida, o deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) obteve as nove assinaturas necessárias para instaurar uma Comissão de Representação Externa. O número, que supera o terço constitucional exigido dos 24 parlamentares, representa um revés político para o Palácio Rio Branco, que viu o controle da pauta escapar de suas mãos no momento de uma crise grave de infraestrutura.
A manobra legal
Diferente de uma CPI, que demanda uma votação ampla e o respaldo da maioria governista, a Comissão de Representação Externa possui ritos mais ágeis. Com base no Artigo 32 do Regimento Interno da Aleac e amparado por jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o mecanismo permite a instalação imediata a partir do protocolo, sem necessidade de votação em plenário.
Foco na perícia e fiscalização
O objetivo da comissão, formalizado pelo Requerimento nº 54/2026, é estritamente técnico: acompanhar de perto as perícias sobre o desabamento. O documento traz uma denúncia grave ao citar “fortes indícios de que o anteprojeto apresentado pelo Deracre não foi seguido pela Construtora Cidade”, empresa responsável pela execução da obra.
A medida coloca órgãos estaduais estratégicos, como o Deracre, sob o olhar direto de parlamentares de oposição e independentes, complicando a narrativa oficial do governo sobre as causas da queda da estrutura.
Base aliada sob pressão
A lista de signatários do requerimento é composta pelos deputados:
- Edvaldo Magalhães (PCdoB)
- Eduardo Ribeiro (Republicanos)
- Tadeu Hassem (Republicanos)
- Michele Melo (UB)
- Antônia Sales (MDB)
- Adailton Cruz (UB)
- Gene Diniz (Republicanos)
- Fagner Calegário (UB)
- Emerson Jarude (Novo)
O dado que mais preocupa os articuladores governistas é que quatro desses parlamentares fazem parte da base de sustentação do governo Mailza. Agora, a gestão estadual inicia uma corrida contra o tempo para tentar convencer esses deputados a retirarem suas assinaturas, em uma tentativa de conter o desgaste político e retomar o controle da comissão.

