O consumo de medicamentos utilizados para emagrecimento continua em forte expansão no Brasil, mas um dado tem chamado a atenção de especialistas e autoridades da área da saúde: o crescimento acelerado do mercado informal de canetas emagrecedoras. Estimativas apontam que mais da metade das doses consumidas no país pode estar sendo adquirida fora dos canais oficiais de comercialização, aumentando os riscos para a saúde dos pacientes.
A preocupação ganha ainda mais relevância diante do avanço expressivo na procura por esses medicamentos. Um levantamento realizado pela empresa de inteligência de mercado Scanntech revelou que o consumo de canetas emagrecedoras registrou um crescimento de 239% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.
O aumento da demanda tem sido impulsionado pela busca cada vez maior por tratamentos para obesidade e perda de peso, além da popularização desses medicamentos nas redes sociais e entre influenciadores digitais. Entretanto, a alta procura também abriu espaço para a atuação de vendedores clandestinos que oferecem produtos sem procedência comprovada, muitas vezes comercializados pela internet, redes sociais e aplicativos de mensagens.
Especialistas alertam que a compra de medicamentos fora das farmácias autorizadas representa um sério risco. Produtos falsificados, armazenados de forma inadequada ou transportados sem refrigeração podem perder sua eficácia ou até provocar efeitos adversos graves. Além disso, não há garantia de que o conteúdo das canetas corresponda ao medicamento anunciado.
Outro fator que preocupa é a automedicação. As canetas emagrecedoras são medicamentos que exigem prescrição e acompanhamento médico, já que podem provocar efeitos colaterais e possuem contraindicações para determinados pacientes. O uso indiscriminado pode comprometer a saúde e gerar complicações que vão desde distúrbios gastrointestinais até problemas mais graves.
O crescimento do mercado informal evidencia a necessidade de maior fiscalização por parte dos órgãos competentes, bem como de campanhas de conscientização para orientar a população sobre os riscos da compra de medicamentos de origem desconhecida. Para especialistas, o combate ao comércio ilegal é essencial para garantir a segurança dos pacientes e evitar que o aumento da procura por tratamentos para emagrecimento seja acompanhado pelo crescimento de fraudes e produtos sem qualquer controle sanitário.

