Análise: A ausência de Fernanda Hassem na convenção de Alan Rick levanta questionamentos sobre a estratégia da chapa

A política acreana viveu um de seus momentos mais aguardados nas convenções partidárias que oficializaram as candidaturas ao Governo do Estado. Entre os diversos assuntos que dominaram os bastidores, um chamou atenção: a ausência da ex-prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem, no evento que confirmou o senador Alan Rick como candidato ao Palácio Rio Branco no dia 25, e anunciou o empresário Rico Leite como candidato a vice-governador. Até o momento, Fernanda Hassem não informou publicamente o motivo de sua ausência. Entretanto, veículos de comunicação relataram que ela teria ficado decepcionada por não ter sido a escolhida para compor a chapa.

A disputa pela vaga de vice foi acompanhada de perto por lideranças políticas de todo o estado. Alan Rick chegou a citar publicamente três nomes que estavam sendo avaliados: a ex-prefeita Fernanda Hassem, a advogada Ana Paula Correia e o empresário Ricardo Leite.

Na avaliação de muitos observadores da política acreana, Fernanda Hassem reunia características que poderiam fortalecer eleitoralmente a chapa. Ex-vereadora, ex-prefeita de Brasiléia por dois mandatos e uma das principais lideranças do Alto Acre, ela construiu uma trajetória política consolidada e tornou-se um dos nomes mais conhecidos do interior do estado.

Como toda liderança política, Fernanda também coleciona apoiadores e críticos. Afinal, dificilmente um político que exerce cargos executivos durante anos consegue agradar a todos. No entanto, mesmo entre adversários, existe o reconhecimento de que ela adquiriu experiência administrativa e habilidade na articulação política ao longo de sua carreira.

Outro nome analisado era o de Ana Paula Correia, ligada ao Vale do Juruá. Sua eventual indicação era vista como uma tentativa de ampliar a presença eleitoral naquela região, especialmente em Cruzeiro do Sul. Entretanto, analistas também apontavam que o Juruá já possui outras lideranças tradicionais atuando em diferentes grupos políticos, o que poderia reduzir o impacto eleitoral dessa escolha.

A decisão final acabou recaindo sobre o empresário Ricardo Leite. Sem experiência em disputas eleitorais, ele chega à política trazendo uma trajetória ligada ao setor empresarial e à gestão privada. A escolha foi interpretada por integrantes da campanha como uma forma de aproximar a chapa do setor produtivo e agregar um perfil técnico ao projeto político de Alan Rick.

Naturalmente, somente a campanha eleitoral e o resultado das urnas mostrarão se essa estratégia foi acertada. Na política, decisões sobre a composição de chapas envolvem diversos fatores, como alianças, equilíbrio regional, estrutura de campanha e projeções eleitorais, e seus efeitos só podem ser avaliados após o processo eleitoral.

Enquanto isso, Fernanda Hassem segue como uma das principais lideranças políticas do Acre. Sua trajetória como prefeita de Brasiléia e sua influência no Alto Acre fazem dela um nome de peso no cenário estadual. O desdobramento desse episódio e os próximos passos da ex-prefeita ainda são uma incógnita. Se permanecerá no grupo político de Alan Rick, se buscará novos caminhos ou qual será seu papel nas eleições de 2026, somente os próximos movimentos da política acreana responderão. O certo é que sua ausência na convenção e a escolha do vice abriram espaço para debates sobre a estratégia adotada pela chapa e seus possíveis reflexos na disputa pelo Governo do Estado.

As eleições de 2026 prometem mostrar se a aposta em um perfil empresarial para a vice-governadoria produzirá os resultados esperados ou se a ausência de uma liderança política experiente na chapa terá reflexos na disputa pelo Governo do Acre.

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