Jornalista que marcou gerações à frente do Jornal do Acre e chegou à bancada do Jornal Nacional, da TV Globo, faleceu na madrugada desta quarta-feira (14). Sua partida provoca comoção entre familiares, amigos, colegas de profissão e telespectadores acreanos.
O jornalismo acreano amanheceu de luto nesta quarta-feira, 14 de outubro. Morreu, aos 62 anos, o jornalista e apresentador José Ayres de Souza Rocha, carinhosamente conhecido como Ayres Rocha, um dos profissionais mais respeitados e admirados da história da comunicação no Acre. A notícia de sua morte provocou tristeza e uma onda de homenagens nas redes sociais, especialmente entre aqueles que acompanharam sua trajetória de mais de três décadas na televisão.
Dono de uma voz inconfundível, uma maneira própria de apresentar as notícias e uma relação de proximidade com o público, Ayres Rocha se tornou presença familiar nos lares acreanos. Durante anos, esteve à frente do Jornal do Acre 2ª Edição (JAC2), exibido pela Rede Amazônica, afiliada da TV Globo, conquistando a confiança dos telespectadores e consolidando seu nome como uma referência do telejornalismo regional.
Mais do que transmitir informações, Ayres ajudou a contar a história do Acre. Acompanhou transformações políticas, sociais e econômicas, noticiou acontecimentos que marcaram o estado e participou diariamente da rotina de milhares de famílias que encontravam em sua apresentação uma fonte de informação e credibilidade.
Da televisão acreana à bancada do Jornal Nacional
Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória profissional aconteceu em setembro de 2019, quando Ayres Rocha foi escolhido para representar o Acre na bancada do Jornal Nacional, principal telejornal da TV Globo.
A participação ocorreu durante as comemorações dos 50 anos do programa, que reuniu jornalistas de diferentes estados brasileiros. Na edição de 7 de setembro daquele ano, Ayres dividiu a apresentação com a jornalista baiana Jéssica Senra.
Na ocasião, o apresentador protagonizou um momento que ganhou repercussão nacional ao demonstrar seu orgulho pelo estado que representava. Ao encerrar o telejornal, declarou: “Isso aqui também, Jéssica, provou mais do que nunca que o meu Acre existe. Existe sim!”
A frase, pronunciada com espontaneidade e emoção, tornou-se uma das passagens mais lembradas de sua carreira e simbolizou o sentimento de valorização do Acre no cenário nacional.
Aposentadoria em 2024 encerrou uma trajetória histórica
Depois de aproximadamente 35 anos dedicados ao telejornalismo, Ayres Rocha anunciou sua aposentadoria em novembro de 2024.
Sua última apresentação no Jornal do Acre 2ª Edição aconteceu no dia 8 daquele mês, em uma edição marcada por emoção, agradecimentos e homenagens. O jornalista fez questão de reconhecer o trabalho dos profissionais que atuavam nos bastidores da emissora e agradecer ao público que o acompanhou durante tantos anos.
A despedida ultrapassou as fronteiras do Acre e ganhou destaque na imprensa nacional, demonstrando a importância de sua contribuição para a comunicação brasileira.
Na ocasião, Ayres encerrou um ciclo profissional marcado pelo compromisso com a informação, pela valorização do trabalho em equipe e pelo respeito aos telespectadores.
Familiares lembram o homem alegre e carinhoso fora das câmeras
Se diante das câmeras Ayres Rocha era reconhecido pela postura profissional e pela credibilidade, no ambiente familiar era lembrado pelo carinho, pela alegria e pela capacidade de transformar encontros em momentos especiais.
Nas redes sociais, familiares compartilharam mensagens emocionadas, destacando a personalidade descontraída do jornalista e seu costume de reunir os sobrinhos.
Uma das homenagens mais comoventes foi publicada por uma sobrinha, que recordou os momentos de felicidade vividos ao lado do tio:
“Hoje tem festa no céu e, por aqui, o senhor vai ser sempre sinônimo de alegria. Tio Ayres sempre gostou de ficar rodeado dos sobrinhos e arrancava as nossas risadas mais sinceras. Sua energia nunca vai morrer, ela está um pouquinho em cada um de nós. Deus te receba de braços abertos.”
A manifestação revela uma dimensão de Ayres que ia muito além da televisão: a de um homem ligado à família, que cultivava amizades e deixava lembranças afetuosas entre as pessoas de sua convivência.
Uma perda irreparável para a comunicação do Acre
A morte de Ayres Rocha representa o encerramento de um importante capítulo da história do jornalismo acreano. Sua trajetória se confunde com o desenvolvimento da televisão no estado e com a formação de uma geração de profissionais que encontrou em seu trabalho uma referência de dedicação e responsabilidade.
Ao longo da carreira, Ayres demonstrou que o jornalismo regional possui força, identidade e capacidade de alcançar reconhecimento nacional sem perder suas raízes.
Sua passagem pela bancada do Jornal Nacional foi uma demonstração dessa representatividade, mas seu maior legado permanece na memória dos acreanos que, durante décadas, acompanharam seu trabalho diariamente.
Para os colegas de profissão, fica o exemplo de um comunicador que conquistou respeito pela experiência e pelo compromisso com a notícia. Para o público, permanece a lembrança de uma voz que ajudou a narrar acontecimentos importantes da história recente do Acre.
Até o momento, não foram divulgadas oficialmente informações sobre a causa da morte, nem os horários e locais do velório e sepultamento.
O Diário Brasileense manifesta profundo pesar pelo falecimento de Ayres Rocha e se solidariza com seus familiares, amigos e colegas de profissão. O Acre perde um grande jornalista, mas sua história, sua voz e sua contribuição para a comunicação permanecerão vivas na memória de gerações de acreanos.
Informações complementares apuradas em publicações do ContilNet, AcreNews, O Rio Branco, O Acre Agora e NaTelinha.

