Líder do Comando Vermelho condenada a mais de 260 anos de prisão é transferida para Mato Grosso após ser capturada na Bolívia

Conhecida como “Angeliquinha”, criminosa havia fugido de penitenciária em Cuiabá em agosto de 2025 e foi localizada em Santa Cruz de la Sierra. Justiça determinou sua inclusão em regime disciplinar mais rigoroso.

Apontada pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no estado de Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, foi transferida nesta terça-feira (20) para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. A detenta, que acumula condenações superiores a 260 anos de prisão, havia fugido da mesma unidade prisional em 17 de agosto de 2025 e permaneceu foragida por mais de um ano.

A transferência ocorreu após sua recaptura em território boliviano, onde foi localizada no dia 22 de setembro de 2026, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, um dos principais centros urbanos da Bolívia. A prisão encerrou um período de fuga que mobilizou autoridades brasileiras e bolivianas.

Angeliquinha possui um extenso histórico criminal, com condenações por homicídios, tráfico de drogas e participação em organização criminosa. Segundo as investigações, ela exercia posição de liderança dentro do Comando Vermelho, especialmente na região norte de Mato Grosso, com atuação em municípios como Alta Floresta e localidades próximas.

Captura na Bolívia e transferência para o Brasil

Após ser localizada pelas autoridades bolivianas, Angeliquinha foi entregue à Polícia Federal brasileira no dia 24 de setembro, dois dias depois de sua captura.

Inicialmente, a detenta foi encaminhada ao Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, localizado em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, município situado na fronteira entre Brasil e Bolívia.

Na unidade prisional, permaneceu sob custódia enquanto eram realizados os procedimentos administrativos e judiciais necessários para sua transferência definitiva ao sistema penitenciário de Mato Grosso.

O retorno à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, foi autorizado pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), responsável pela administração do sistema prisional mato-grossense.

A transferência representa mais uma etapa das medidas adotadas pelas autoridades para garantir o cumprimento das condenações impostas à detenta e impedir que ela continue exercendo influência sobre atividades criminosas.

Investigações apontam atuação no tráfico e lavagem de dinheiro

De acordo com as investigações policiais, Angeliquinha é apontada como uma das integrantes de maior influência do Comando Vermelho no extremo norte de Mato Grosso.

As autoridades investigam sua possível participação na coordenação de atividades relacionadas ao tráfico de entorpecentes, à lavagem de dinheiro e à organização de ações criminosas atribuídas à facção.

Um dos aspectos que chamaram a atenção dos investigadores foi a suspeita de que a detenta teria continuado a exercer funções de comando dentro da organização criminosa mesmo durante o período em que permaneceu foragida na Bolívia.

Esses indícios integram as apurações da Operação Showdown, conduzida pela Polícia Civil, que busca identificar a estrutura de atuação da organização criminosa, suas lideranças e os mecanismos utilizados para manter suas atividades.

Justiça determina regime disciplinar mais rigoroso

Diante da gravidade das informações apresentadas pelos investigadores, a 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), pelo período inicial de 180 dias.

O RDD é uma modalidade mais rigorosa de cumprimento de pena, prevista na legislação brasileira, destinada a situações específicas envolvendo presos que representam elevado risco à segurança dos estabelecimentos penitenciários ou sobre os quais recaem suspeitas fundamentadas de participação em organizações criminosas.

Entre as características desse regime estão restrições mais severas à convivência com outros detentos, maior controle das comunicações e procedimentos específicos de segurança.

A decisão judicial também estabelece a possibilidade de prorrogação do período inicial, desde que exista nova determinação fundamentada da Justiça.

A medida foi adotada após representação apresentada pela Polícia Civil no âmbito da Operação Showdown, que reuniu elementos indicando a possível manutenção de atividades de liderança criminosa por parte da investigada durante sua fuga.

Caso evidencia atuação de organizações criminosas além das fronteiras brasileiras

A localização de Angeliquinha em Santa Cruz de la Sierra também chama a atenção para os desafios enfrentados pelas autoridades no combate à criminalidade organizada em regiões de fronteira.

A Bolívia compartilha uma extensa fronteira com o Brasil, incluindo áreas dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre, o que torna a cooperação entre as forças de segurança dos dois países fundamental para a localização de foragidos e o enfrentamento ao tráfico internacional de drogas.

O caso reforça a importância da colaboração entre autoridades brasileiras e bolivianas no cumprimento de mandados judiciais e na repressão às atividades de organizações criminosas com atuação transnacional.

Com o retorno de Angeliquinha ao sistema prisional de Mato Grosso e sua inclusão no Regime Disciplinar Diferenciado, as autoridades buscam ampliar o controle sobre suas comunicações e impedir que a detenta continue exercendo influência sobre integrantes da facção.

As investigações relacionadas à Operação Showdown seguem como parte dos esforços para identificar e responsabilizar outros envolvidos nas atividades criminosas atribuídas à organização.

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