Estratégia do senador busca atrair a bancada de direita para o pleito de 2027 e aliviar embates com o STF; diálogo prevê negociação de indulto humanitário com o Executivo.
Por Redação
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), desenha uma estratégia política para construir pontes com a oposição de direita de olho na sua recondução ao comando da Casa, em 2027. De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, interlocutores do parlamentar revelam que a moeda de troca envolveria o avanço de um indulto ou de um projeto de anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além de assegurar votos estratégicos na disputa parlamentar, a iniciativa almeja desacelerar o ímpeto da bancada conservadora contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) — com foco principal no ministro Alexandre de Moraes, encarregado dos processos que resultaram na condenação de Bolsonaro.
Fontes próximas a Alcolumbre apontam que a intenção do senador é costurar um pacto de pacificação institucional entre o Planalto, o Congresso e o Judiciário logo após o próximo pleito presidencial. Como primeiro passo, o senador pretende apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a proposta de concessão de um indulto humanitário ao ex-mandatário.
Apesar das especulações, o tema não entrou na pauta da reunião recente entre Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), realizada na última segunda-feira (26).
Diante de uma eventual recusa do Poder Executivo em conceder o benefício, a alternativa traçada por Alcolumbre é patrocinar a votação de um texto de anistia no próprio Poder Legislativo. Essa via, contudo, exigiria uma negociação prévia para evitar o enfrentamento direto com a base governista ou um posterior veto presidencial.
Desdobramentos e tensão com o STF
Um componente adicional do arranjo diz respeito à legislação que prevê a atenuante de penas para os envolvidos nos eventos do 8 de janeiro de 2023. A eficácia da norma permanece congelada por determinação liminar de Alexandre de Moraes desde maio, aguardando o parecer final da Suprema Corte sobre a sua validade constitucional.
Na avaliação do grupo político do presidente do Senado, uma sinalização positiva do STF em relação ao tema ajudaria a desarmar o clima de hostilidade entre os poderes e abriria caminho para consolidar o entendimento com os setores mais conservadores do Parlamento.

