Temperatura na região Niño 3.4 teria alcançado anomalia de 3,05°C acima da média, reforçando preocupação com possíveis impactos nos regimes de chuva e temperatura em várias partes do planeta
O Oceano Pacífico registrou um novo e expressivo aquecimento na região central do Pacífico Equatorial, aumentando a atenção de meteorologistas para uma possível rápida intensificação do fenômeno El Niño em 2026.
Dados de monitoramento indicam que, no dia 19 de setembro, a chamada região Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas para acompanhar a evolução do fenômeno, apresentou uma anomalia de temperatura de 3,05°C acima da média.
O valor chama atenção não apenas pela intensidade, mas também pelo momento em que teria sido registrado. O aquecimento ocorre antes do período em que, normalmente, episódios de El Niño alcançam sua maior força, geralmente próximo ao final do ano.
O índice teria superado inclusive registros diários observados durante o forte El Niño de 2015, episódio que ficou marcado entre os mais intensos já acompanhados nas últimas décadas.
Projeções indicam possibilidade de forte intensidade
As projeções meteorológicas também reforçam a atenção para os próximos meses. Segundo as informações divulgadas, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte durante o outono e o inverno de 2026–2027 no Hemisfério Norte.
Ainda conforme as projeções, haveria 75% de possibilidade de o fenômeno alcançar intensidade considerada histórica entre outubro e dezembro, levando em conta o índice oficial utilizado para o monitoramento das temperaturas do Pacífico Equatorial.
O comportamento das águas oceânicas continuará sendo acompanhado ao longo dos próximos meses, já que a evolução do El Niño depende não apenas da temperatura da superfície do mar, mas também da interação entre o oceano e a atmosfera.
El Niño pode provocar mudanças no clima
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Apesar de ocorrer a milhares de quilômetros do território brasileiro, o fenômeno é capaz de modificar a circulação atmosférica e influenciar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
Quando episódios de maior intensidade são registrados, podem ocorrer alterações significativas na distribuição das chuvas, ondas de calor, secas prolongadas e tempestades mais intensas em determinadas áreas.
No Brasil, historicamente, episódios de El Niño podem favorecer volumes de chuva acima da média em partes das regiões Sul e Sudeste. Em outras áreas do país, por outro lado, o fenômeno pode contribuir para redução ou irregularidade das precipitações.
Os impactos, entretanto, não ocorrem de maneira uniforme e dependem de outros fatores atmosféricos e oceânicos presentes em cada período.
Com os sinais de forte aquecimento no Pacífico Equatorial, os próximos meses serão fundamentais para determinar a real intensidade do El Niño de 2026 e seus possíveis reflexos sobre o clima brasileiro e mundial.

