Plantação ocupava aproximadamente um hectare em área de difícil acesso; dois homens fugiram pela mata e Polícia Civil investiga possível participação de outras pessoas no cultivo
Uma operação da Polícia Civil do Acre resultou na localização e destruição de uma plantação com aproximadamente 2 mil pés de maconha dentro da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, na zona rural de Brasiléia, no Alto Acre. O cultivo ocupava uma área estimada em um hectare, em uma região de mata de difícil acesso.
A plantação foi encontrada na região do ramal do quilômetro 59, com acesso pela BR-317. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, chegar ao ponto exigiu uma verdadeira incursão pela floresta: os agentes percorreram aproximadamente 54 quilômetros pelo ramal e, posteriormente, caminharam por cerca de uma hora em mata fechada.
As investigações que levaram os policiais até o local avançaram após uma ocorrência envolvendo uma tentativa de homicídio na região. De acordo com o delegado Erick Maciel, responsável pela investigação, as informações obtidas durante as diligências levantaram suspeitas sobre a existência de uma plantação de maconha mantida havia meses naquela área.
Na terça-feira (22), investigadores foram até a região para verificar as informações e confirmaram a existência do cultivo. Com a localização definida, foi solicitado reforço para que a operação pudesse ser realizada em razão das dificuldades de acesso e das características da área.
Na ação realizada posteriormente, com participação de policiais civis de Brasiléia e apoio de agentes de Assis Brasil, dois homens foram encontrados nas proximidades da plantação. Segundo a polícia, eles estariam regando as plantas quando perceberam a aproximação dos agentes e fugiram para dentro da mata. Apesar das buscas, os suspeitos não foram localizados.
Plantas foram incineradas
A maioria das plantas encontradas tinha aproximadamente 50 centímetros de altura. Os investigadores fizeram o levantamento da área e recolheram amostras que deverão passar por perícia. O restante da plantação foi destruído por meio de incineração no próprio local.
Além do crime relacionado ao cultivo da droga, a investigação aponta que aproximadamente um hectare de vegetação teria sido utilizado para implantação da plantação. Informações divulgadas pela Polícia Civil indicam que a preparação do terreno teria envolvido roçada, derrubada da vegetação, queima da área e posterior plantio das mudas.
A Resex Chico Mendes é uma unidade de conservação federal criada em 1990 e possui mais de 931 mil hectares, abrangendo uma extensa área do Acre. A reserva está inserida no bioma Amazônia e é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Polícia apura possível recrutamento de moradores
Com a destruição da plantação, as investigações agora se concentram na identificação das pessoas responsáveis pelo cultivo e na localização dos dois homens que conseguiram escapar durante a operação.
Uma das linhas de investigação mencionadas pelo delegado Erick Maciel considera a possibilidade de moradores ou posseiros da região terem sido recrutados para auxiliar na preparação da área e manutenção do cultivo. A Polícia Civil também apura indícios da participação de pessoas vindas de outros estados. Essas possibilidades ainda estão sendo investigadas e, até o momento, não representam uma conclusão definitiva sobre a autoria do esquema.
Outra frente da investigação busca esclarecer se o ponto onde a plantação foi encontrada poderia estar relacionado a uma estrutura mais ampla de armazenamento e transporte de entorpecentes. Reportagens baseadas nas informações policiais apontam que uma residência nas proximidades também entrou no radar dos investigadores e que uma possível ligação com rotas de tráfico da região de fronteira está sendo apurada.
Até a divulgação das informações nesta quinta-feira (24), ninguém havia sido preso diretamente pela plantação. A Polícia Civil continua realizando diligências para identificar os responsáveis, apurar quem financiava ou coordenava o cultivo e verificar a eventual participação de outras pessoas na atividade ilegal dentro da unidade de conservação.

