SEE contesta vídeo sobre carne em escola de Cruzeiro do Sul e diretor registra boletim de ocorrência

Secretaria de Educação afirma que imagens atribuídas à Escola Maria de Nazaré Santiago não foram feitas na unidade; diretor procurou a Polícia Civil e negou recebimento de carne imprópria

A Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE) se manifestou sobre a repercussão de um vídeo que vinha sendo apresentado como registro de carne de baixa qualidade supostamente destinada à alimentação dos estudantes da Escola Estadual Maria de Nazaré Santiago, localizada na Vila São Pedro, zona rural de Cruzeiro do Sul.

O caso ganhou repercussão nesta semana após a divulgação de denúncias relacionadas à alimentação escolar. Publicações veiculadas na imprensa relataram que servidores reclamavam da qualidade e da quantidade da carne que estaria sendo fornecida à unidade. Segundo os relatos publicados, o produto não corresponderia ao padrão esperado para o fornecimento.

A discussão ocorreu no mesmo período em que estudantes da Maria de Nazaré Santiago, que funciona em regime de tempo integral, também apresentaram reclamações sobre a alimentação escolar, mencionando pouca variedade e quantidade considerada insuficiente para atender os alunos durante toda a jornada.

A SEE, entretanto, contesta a utilização do vídeo apresentado posteriormente como prova das condições da carne.

De acordo com nota assinada pelo secretário de Estado de Educação, Reginaldo Prates, as imagens não mostram a Escola Maria de Nazaré Santiago e tampouco uma entrega realizada à unidade durante a atual gestão estadual.

“A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) esclarece que o vídeo apresentado como prova de que carne de baixa qualidade teria sido entregue à Escola Estadual Maria de Nazaré Santiago, em Cruzeiro do Sul, não retrata a escola nem uma entrega feita à unidade pela gestão liderada pela governadora Mailza”, afirma a nota.

Segundo a Secretaria, associar as imagens à alimentação oferecida aos estudantes da unidade levaria o público a uma conclusão que, de acordo com a pasta, não corresponde aos fatos.

Diretor procura a Polícia Civil

A direção da Escola Maria de Nazaré Santiago também contestou a procedência das imagens.

O diretor Antônio Marcos Cunha já havia se manifestado publicamente afirmando que o ambiente mostrado no vídeo não corresponde à cozinha da escola. Segundo ele, existem diferenças entre a estrutura exibida nas imagens e as instalações da unidade de ensino.

Após a repercussão, o diretor registrou o boletim de ocorrência nº 00088168/2026.

Conforme as informações apresentadas pela SEE, Antônio Marcos declarou à Polícia Civil que a escola onde trabalha não recebeu carne imprópria para consumo.

No registro policial, o diretor afirmou ainda que a cozinha exibida no vídeo não seria a da Escola Maria de Nazaré Santiago, mas de outra unidade que ele não soube identificar.

O gestor também informou que acompanha e vistoria as carnes no momento das entregas realizadas na escola e solicitou retratação do veículo responsável pela publicação.

Secretaria considera situação grave

Na manifestação encaminhada sobre o episódio, a Secretaria de Educação afirma considerar grave a utilização de uma gravação que classifica como antiga e fora de contexto para fundamentar uma denúncia atual.

A pasta também relacionou sua preocupação ao período eleitoral e informou que pretende colaborar com as autoridades responsáveis pela apuração.

“A SEE considera grave o uso de uma gravação antiga e fora de contexto para sustentar uma denúncia atual, especialmente em período eleitoral. A Secretaria fornecerá às autoridades os elementos necessários à apuração e reafirma que qualquer reclamação sobre a alimentação escolar deve ser verificada com base em entregas e fatos identificáveis, para que eventuais problemas sejam corrigidos”, declarou o secretário Reginaldo Prates.

A manifestação da Secretaria não elimina as reclamações anteriores feitas por estudantes sobre quantidade e variedade da alimentação escolar, que constituem uma questão distinta da autenticidade e da origem do vídeo posteriormente associado à carne.

Norma determina fiscalização dos alimentos na entrega

A Secretaria também citou as regras adotadas pela rede estadual para recebimento dos produtos destinados à alimentação escolar.

A Instrução Normativa SEE nº 4, de 6 de maio de 2024, estabelece procedimentos de boas práticas e controle da alimentação escolar durante o recebimento, armazenamento e distribuição dos alimentos.

Pela norma, cabe à equipe gestora das escolas estaduais adotar os procedimentos de controle. No momento da entrega, o servidor responsável deve conferir tanto a quantidade quanto a qualidade dos produtos.

Entre os itens que precisam ser observados estão a rotulagem, condições das embalagens, prazo de validade, odor, cor, textura, temperatura e aspecto geral dos alimentos.

Também deve ser realizada a contagem ou pesagem dos produtos para verificar se as quantidades correspondem ao que consta nos recibos ou guias de entrega.

Caso sejam identificadas faltas, avarias ou condições que comprometam o alimento, a própria normativa determina que o produto seja recusado. A ocorrência deve ser registrada na guia de entrega e comunicada imediatamente ao Departamento de Alimentação e Nutrição Escolar (DEANE).

A existência e o conteúdo dessas regras constam em documento oficial disponibilizado pelo Conselho de Alimentação Escolar do Acre.

Caso deverá ser apurado

Com o registro do boletim de ocorrência, as circunstâncias relacionadas à produção e à divulgação do vídeo poderão ser apuradas pelas autoridades competentes.

Entre os pontos ainda a serem esclarecidos estão a origem das imagens, quando e onde foram efetivamente gravadas e como passaram a ser relacionadas à Escola Estadual Maria de Nazaré Santiago.

A SEE informou que disponibilizará às autoridades os elementos necessários para contribuir com a apuração.

A controvérsia, portanto, envolve duas questões que precisam ser distinguidas: de um lado, as reclamações anteriormente divulgadas por estudantes e pessoas ligadas à comunidade escolar sobre quantidade e variedade da alimentação; de outro, a autenticidade do vídeo apresentado como registro de carne supostamente entregue à escola — ponto que é expressamente contestado pela direção da unidade e pela Secretaria de Estado de Educação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dois × 1 =

Publicidade

Categorias