Nenhuma candidata conquistou uma das cadeiras nas eleições de 2026; Antonia Sales, Maria Antônia e Michelle Melo não conseguiram renovar seus mandatos
As eleições de 2026 produziram um cenário marcante na composição da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Nenhuma mulher conseguiu se eleger deputada estadual no pleito realizado neste domingo, 4 de outubro. Com isso, as 24 cadeiras da próxima legislatura serão ocupadas exclusivamente por homens.
O resultado representa uma queda significativa da presença feminina no Parlamento estadual. Atualmente, três das 24 cadeiras da Aleac são ocupadas por mulheres: Antonia Sales (MDB), Maria Antônia (PP) e Michelle Melo (União Brasil). As três disputaram a reeleição em 2026, mas não conseguiram renovar seus mandatos. Nenhuma das demais candidatas alcançou uma vaga pelo sistema proporcional.
Na atual legislatura, portanto, as mulheres representam 12,5% das cadeiras da Assembleia. A partir de 2027, esse percentual cairá para zero. O cenário chama atenção principalmente porque as mulheres representam parcela expressiva do eleitorado e continuam enfrentando dificuldades para ampliar sua presença nos espaços de decisão política.
A ausência feminina também interrompe a representação conquistada nas eleições de 2022. Naquele pleito, Maria Antônia foi eleita com 10.485 votos, Michelle Melo obteve 5.990 votos e Antonia Sales também conquistou uma das 24 cadeiras da Casa. Quatro anos depois, nenhuma delas conseguiu permanecer entre os eleitos.
O resultado de 2026 também é historicamente significativo. Segundo levantamento publicado após a eleição, o Acre não registrava uma eleição estadual sem nenhuma mulher eleita para a Assembleia Legislativa desde 1994.
Além das três parlamentares, outros cinco integrantes da atual legislatura também ficaram fora da nova composição. Dos atuais 24 deputados, 16 permanecerão na Aleac, enquanto oito nomes que não integram a atual composição conquistaram cadeiras, resultando em uma renovação de aproximadamente 33,3%.
Os oito nomes que deixam a composição são Antonia Sales, Chico Viga, Michelle Melo, Gilberto Lira, Luiz Gonzaga, Maria Antônia, Pedro Longo e Whendy Lima. Entre os novos ou retornantes estão Marcus Alexandre, Chiquinho do Duda, Samir Bestene, Raimundo Neném, Gláucio Pedrosa, Jailson Amorim, Antonio Pedro e Leôncio Castro.
Com 100% das urnas apuradas, Nicolau Júnior (PP) foi o deputado estadual mais votado do Acre, alcançando 18.149 votos. Fagner Calegario (União Brasil), com 13.640 votos, e Clodoaldo Rodrigues (PP), com 13.575, aparecem na sequência. A nova composição terá representantes de dez partidos.
O fato de nenhuma mulher ter conquistado uma das 24 vagas abre espaço para uma discussão sobre participação e representatividade feminina na política acreana. Apesar da presença de mulheres entre as candidaturas, o resultado das urnas mostra que essa participação não se converteu em representação parlamentar na Aleac.
A situação do Acre chama ainda mais atenção no cenário nacional. Levantamento publicado após as eleições aponta que o estado será a única unidade da Federação sem nenhuma mulher em sua Assembleia Legislativa na legislatura iniciada em 2027. Nas demais assembleias estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, pelo menos duas mulheres foram eleitas.

