Sofia Favero aciona MP-SP contra Eduarda Campopiano após publicação direcionada a Erika Hilton

Deputada eleita pelo PSOL acusa parlamentar do PL de transfobia e violência política de gênero após postagem que chamou Erika Hilton de “homem biológico”

A deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) apresentou uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra Eduarda Campopiano (PL), também eleita para a Assembleia Legislativa paulista. A medida foi tomada após uma publicação de Campopiano direcionada à deputada federal Erika Hilton (PSOL).

Na representação, Favero acusa a parlamentar eleita de transfobia e violência política de gênero. O episódio ocorreu após a divulgação dos resultados das eleições de 2026.

Campopiano, vereadora de Praia Grande e eleita deputada estadual, publicou uma mensagem na rede social X, antigo Twitter, na qual se referiu a Erika Hilton como “homem biológico”. A postagem ultrapassou a marca de três milhões de visualizações.

Na mensagem, Campopiano questionou Erika sobre o resultado eleitoral e afirmou que ela não ocuparia o posto de mulher mais votada de São Paulo, fazendo referência à votação obtida pelas duas candidatas em cargos diferentes.

Erika Hilton conquistou a reeleição para a Câmara dos Deputados com 1.596.472 votos. Campopiano, por sua vez, recebeu 1.956.238 votos na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), tornando-se a candidata mais votada para deputada estadual. Sofia Favero também foi eleita, terminando na terceira colocação, com 407.773 votos.

Representação pede investigação

A denúncia foi encaminhada na segunda-feira (5) ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do Ministério Público paulista.

No documento, Sofia Favero pede que seja aberta uma investigação sobre a conduta de Campopiano e que sejam adotadas as medidas consideradas cabíveis caso sejam identificadas infrações.

A argumentação apresentada pela deputada eleita sustenta que a publicação não deve ser interpretada simplesmente como crítica entre adversárias políticas ou manifestação amparada pela liberdade de expressão.

Para Favero, a declaração atingiria diretamente a identidade de gênero de Erika Hilton e teria repercussões que ultrapassariam a disputa entre as parlamentares, alcançando também outras mulheres trans.

Legislação é citada na representação

Entre os dispositivos apresentados na denúncia está o artigo 359-P do Código Penal, relacionado ao emprego de violência com a finalidade de restringir, impedir ou dificultar o exercício de direitos políticos em razão de características previstas na legislação.

A representação também menciona o artigo 326-B do Código Eleitoral, que estabelece punição para determinadas condutas de assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça contra candidatas ou mulheres detentoras de mandato eletivo quando relacionadas a menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

A citação desses dispositivos faz parte da argumentação apresentada por Sofia Favero ao Ministério Público. Caberá às autoridades responsáveis analisar os fatos e verificar se a publicação se enquadra ou não nas hipóteses previstas pela legislação.

Procurada pelo g1 para comentar o episódio, Erika Hilton informou que Sofia Favero já estava adotando as providências relacionadas ao caso.

Até o momento, a representação significa um pedido de apuração e não uma condenação de Eduarda Campopiano. A eventual responsabilização dependerá da análise das autoridades competentes e do andamento do procedimento.

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