Giordano Jordão explica que eventual reconhecimento dos 6.127 votos da parlamentar poderá modificar o quociente eleitoral e exigir uma nova totalização dos resultados no Acre
A possibilidade de reconhecimento dos 6.127 votos recebidos por Antônia Lúcia (MDB) nas eleições de 2026 poderá resultar em uma revisão dos cálculos que definiram a distribuição das cadeiras do Acre na Câmara dos Deputados. A avaliação é do advogado do MDB no estado, Giordano Jordão, que esclareceu os possíveis efeitos jurídicos e matemáticos de uma decisão favorável à parlamentar.
Atualmente, os votos atribuídos a Antônia Lúcia estão classificados como anulados sub judice, em razão da situação jurídica de sua candidatura. Entretanto, caso a Justiça Eleitoral determine o aproveitamento dessa votação, os números utilizados na totalização da eleição proporcional precisarão ser atualizados.
De acordo com Giordano Jordão, os 6.127 votos seriam acrescentados tanto à votação total do MDB quanto ao conjunto de votos válidos registrados no estado.
Com essa alteração, a votação da legenda passaria dos atuais 83.859 para 89.986 votos. Já o total de votos válidos na disputa proporcional aumentaria de 462.485 para 468.612.
A mudança poderia interferir no cálculo do quociente eleitoral e na distribuição das vagas remanescentes, conhecidas como sobras eleitorais, mecanismo utilizado pela Justiça Eleitoral para definir a ocupação das cadeiras que não foram preenchidas na primeira etapa da divisão proporcional.
Advogado esclarece que mudança não significa perda automática de mandato
Giordano Jordão destacou que o eventual reconhecimento dos votos de Antônia Lúcia não significa, necessariamente, que determinado deputado eleito perderá sua cadeira de maneira automática.
Segundo o advogado, qualquer alteração na composição da bancada federal dependerá da aplicação dos critérios previstos na legislação eleitoral, considerando os novos números da votação e os cálculos realizados pela Justiça Eleitoral.
Dessa forma, uma possível redistribuição das vagas seria consequência das regras do sistema proporcional, e não de uma decisão direcionada especificamente contra determinado partido ou parlamentar.
A discussão ganhou repercussão no cenário político acreano diante da possibilidade de mudanças na composição da bancada eleita em 4 de outubro.
MDB aguarda posicionamento definitivo da Justiça Eleitoral
A defesa do MDB ressaltou que reconhece e respeita o resultado oficialmente proclamado até o momento, mas acompanha o andamento do processo que discute a validade dos votos atribuídos a Antônia Lúcia.
O partido aguarda uma manifestação definitiva da Justiça Eleitoral para saber se haverá necessidade de nova totalização e quais seriam os efeitos sobre a distribuição das cadeiras destinadas ao Acre.
Enquanto não houver decisão judicial que determine o aproveitamento dos votos e a revisão dos cálculos, permanece válida a composição da bancada federal definida na totalização oficial.
O desfecho da disputa dependerá, portanto, da análise jurídica da candidatura de Antônia Lúcia e, caso seus votos sejam reconhecidos, da aplicação das regras eleitorais para verificar se haverá mudanças na representação acreana na Câmara dos Deputados.

