Artista morreu nesta terça-feira (13), em Salvador, após enfrentar um câncer no sistema linfático. Dono de uma voz marcante, Netinho fez história na música brasileira e deixa um legado de sucessos que embalaram gerações.
A música brasileira está de luto. Morreu na manhã desta terça-feira, 13 de outubro, aos 60 anos, o cantor Netinho, um dos maiores representantes do axé music e responsável por sucessos que marcaram a década de 1990. O artista estava internado em Salvador, na Bahia, onde enfrentava complicações decorrentes de um câncer no sistema linfático.
A morte foi confirmada pela equipe do cantor por meio de um comunicado divulgado nas redes sociais. Segundo a assessoria, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, doença que evoluiu para insuficiência renal e falência múltipla de órgãos.
O diagnóstico havia sido divulgado em março de 2025. Desde então, o artista passou por tratamentos, incluindo sessões de quimioterapia, e chegou a compartilhar com seus admiradores momentos de sua luta contra a doença. Após um período de melhora, o câncer voltou a se manifestar em 2026, exigindo novos cuidados médicos.
Uma trajetória marcada por grandes sucessos
Nascido em 12 de julho de 1966, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior, conhecido artisticamente como Netinho, mudou-se ainda criança para Salvador, cidade onde iniciou sua caminhada no universo musical.
Sua trajetória ganhou destaque em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo, tornando-se uma das vozes mais populares do Carnaval baiano. Com a música “Beijo na Boca”, conquistou projeção nacional e passou a integrar o grupo de artistas responsáveis pela expansão do axé music pelo Brasil.
Ao longo da carreira, Netinho emplacou canções como “Estrela Primeira”, “Barracos”, “A Vida é Festa”, “Menina” e “Prefixo de Verão”, consolidando sua presença nas rádios, nos programas de televisão e nos grandes eventos musicais.
Entretanto, foi com a canção “Milla”, lançada em 1996, que o cantor alcançou um dos momentos mais importantes de sua carreira. A música tornou-se um verdadeiro fenômeno nacional, sendo cantada por multidões e permanecendo até hoje entre os grandes clássicos do axé brasileiro.
Com sua energia contagiante, presença de palco e voz característica, Netinho conquistou admiradores em diferentes regiões do país, transformando suas apresentações em grandes celebrações da música baiana.
Superação e luta pela vida
A trajetória do cantor também foi marcada por momentos difíceis relacionados à saúde. Em 2013, Netinho enfrentou graves complicações neurológicas, passou por cirurgias e precisou permanecer afastado dos palcos durante um longo período.
Mesmo diante das dificuldades, conseguiu se recuperar e retomou gradualmente suas atividades artísticas, demonstrando o desejo de continuar fazendo aquilo que mais amava: cantar.
Em 2025, o diagnóstico de câncer trouxe um novo desafio. Durante o tratamento, o artista procurou manter contato com seus fãs, compartilhando mensagens de esperança e agradecimento pelo carinho recebido.
Nos últimos meses, com o agravamento da doença, precisou se afastar das redes sociais para concentrar suas forças no tratamento.
Despedida reservada e legado eterno
De acordo com a equipe do artista, o velório e a cremação serão realizados de maneira reservada, com a presença apenas de familiares e amigos próximos, atendendo a um desejo manifestado pelo próprio cantor.
Netinho deixa uma filha, Bruna Trindade, além de uma extensa trajetória musical que ajudou a construir a história do axé e da cultura brasileira.
Sua morte representa uma perda significativa para a música nacional, especialmente para uma geração que cresceu ouvindo suas canções nas rádios, nas festas populares e nos carnavais.
Mais do que um cantor de sucessos, Netinho foi um dos artistas que ajudaram a levar a alegria e a identidade musical da Bahia para diferentes partes do Brasil e do mundo.
O adeus a uma voz que marcou gerações
Para milhões de brasileiros, será impossível ouvir os primeiros acordes de “Milla” sem recordar a energia, o sorriso e a voz de Netinho. Suas músicas continuarão presentes na memória afetiva de quem viveu os grandes momentos do axé music.
Aos 60 anos, o artista se despede da vida, mas deixa uma história construída com talento, perseverança e paixão pela música.
Netinho se foi, mas sua voz continuará ecoando nos carnavais, nas rádios e nos corações daqueles que tiveram suas vidas embaladas por suas canções.
Descanse em paz, Netinho. A música brasileira perde um grande artista, mas sua história jamais será esquecida.

