Após criar expectativa nas redes sociais, influenciador surpreendeu ao abordar questões relacionadas à fobia, enquanto parte do público esperava uma manifestação política em meio à disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O lançamento de um novo vídeo do influenciador digital Felca provocou discussões nas redes sociais, especialmente entre internautas que aguardavam um posicionamento político do criador de conteúdo durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A expectativa de parte do público era de que Felca utilizasse sua grande visibilidade para apresentar denúncias, críticas ou revelações envolvendo o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa eleitoral.
Entretanto, o influenciador seguiu outro caminho e abordou o tema da fobia, frustrando aqueles que esperavam um conteúdo diretamente relacionado à política nacional.
A situação abriu espaço para discussões sobre o papel dos influenciadores digitais nas eleições e sobre a expectativa de que personalidades com grande alcance nas redes sociais assumam posições em favor de determinados candidatos.
Vídeo de 2025 ultrapassou 40 milhões de visualizações e elevou expectativas
A expectativa em torno da nova publicação tem relação direta com o impacto alcançado por Felca em agosto de 2025, quando divulgou um vídeo denunciando a chamada adultização infantil, que consiste na exposição precoce de crianças e adolescentes a comportamentos, situações e conteúdos inadequados à idade.
Na ocasião, a publicação ultrapassou 40 milhões de visualizações no YouTube, ganhou repercussão nacional, mobilizou autoridades e colocou o influenciador no centro de um dos maiores debates daquele ano sobre a proteção de menores na internet.
O sucesso fez com que Felca passasse a ser visto por parte do público como uma personalidade capaz de provocar discussões nacionais e influenciar a opinião pública.
Diante da proximidade do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, a expectativa de alguns setores era de que um novo vídeo de grande repercussão pudesse atingir politicamente Flávio Bolsonaro e favorecer a candidatura de Lula.
Entretanto, não há comprovação de que o influenciador tivesse assumido compromisso com qualquer campanha ou planejado produzir conteúdo eleitoral.
Relato sobre fobia social surpreende seguidores
No vídeo divulgado nesta terça-feira (20), Felca revelou experiências dolorosas de sua adolescência, incluindo episódios de bullying, agressões físicas, isolamento e dificuldades para conviver socialmente.
O influenciador também relatou problemas relacionados à ansiedade e ao consumo de álcool como forma de enfrentar situações sociais. Ele anunciou um projeto pessoal de 90 dias para tentar superar limitações impostas pela fobia social, além da intenção de realizar palestras gratuitas sobre bullying.
O conteúdo representa uma abordagem diferente daquela que parte dos internautas imaginava encontrar. Em vez de denúncias políticas, Felca apresentou um relato pessoal sobre saúde mental e os efeitos de experiências traumáticas.Expectativa política e repercussão nas redes
A frustração de parte dos seguidores ganhou relevância justamente porque o segundo turno presidencial tem sido marcado por uma intensa disputa de narrativas nas plataformas digitais.
Após o primeiro turno, a campanha de Lula intensificou sua atuação nas redes sociais, com a participação de parlamentares, militantes e influenciadores, buscando ampliar o alcance das mensagens políticas e conquistar eleitores indecisos.
Nesse ambiente, a possibilidade de Felca publicar um conteúdo crítico a Flávio Bolsonaro alimentou expectativas entre usuários contrários à candidatura do senador.
A repercussão, porém, exige uma distinção: embora existam relatos de expectativas políticas frustradas, não há dados suficientes para afirmar que a maioria do público rejeitou o vídeo ou que houve uma reação negativa generalizada entre influenciadores de esquerda.
O episódio também evidencia como criadores de conteúdo podem acabar envolvidos em disputas políticas mesmo quando decidem abordar assuntos sem relação direta com as eleições.
Felca mostra que nem toda grande repercussão precisa ser política
O caso levanta uma discussão sobre a pressão exercida sobre personalidades digitais em períodos eleitorais. Com milhões de seguidores, influenciadores passam a ser observados não apenas pelo conteúdo que produzem, mas também pelo posicionamento que determinados grupos esperam deles.
No caso de Felca, o novo vídeo não trouxe a ofensiva política aguardada por parte dos internautas. Em seu lugar, apresentou uma experiência pessoal que também possui relevância social.
A poucos dias da votação que definirá o próximo presidente da República, a situação demonstra como a polarização política pode transformar até mesmo o anúncio de um vídeo sobre saúde mental em motivo de especulação eleitoral.
Enquanto alguns aguardavam um conteúdo capaz de atingir a candidatura de Flávio Bolsonaro e impulsionar a reação política de Lula, Felca optou por falar de sua própria história. A decisão frustrou expectativas eleitorais, mas colocou em evidência outro debate importante: os impactos do bullying, da ansiedade e da fobia social na vida de milhares de brasileiros.

