FONTE: Portal do Rosas, na coluna Poronga.
Questionamentos envolvem certificado de Pedagogia e diferença entre escolaridade declarada em eleições anteriores e a apresentada neste ano; até agora, não há comprovação pública de fraude
A formação acadêmica da governadora do Acre e candidata ao governo nas eleições de 2026, Mailza Assis (PP), tornou-se alvo de questionamentos após publicação do jornalista Leonildo Rosas, que apontou supostas inconsistências entre informações apresentadas pela política em diferentes momentos de sua trajetória eleitoral.
O assunto ganhou repercussão nesta semana depois que Rosas publicou um artigo questionando as circunstâncias da formação superior atribuída à governadora. O jornalista ressalta no próprio texto que não está afirmando que houve fraude, mas considera que existem pontos que, em sua avaliação, precisam ser esclarecidos.
A principal dúvida apresentada está relacionada à mudança na escolaridade informada ao longo dos anos. Segundo o levantamento publicado pelo jornalista, Mailza teria declarado ensino médio completo nas eleições de 2014 e novamente em 2022. Já no registro eleitoral deste ano, aparece com ensino superior completo.
Dados atuais da candidatura de Mailza em 2026 efetivamente registram seu grau de instrução como superior completo. A candidatura ao Governo do Acre pelo Progressistas encontra-se deferida, conforme dados reproduzidos a partir do sistema da Justiça Eleitoral.
Certificado de Pedagogia está no centro dos questionamentos
Outro ponto levantado por Leonildo Rosas diz respeito a um documento de conclusão do curso de Pedagogia.
Segundo o jornalista, na documentação apresentada neste ano consta um certificado de conclusão de Pedagogia datado de março de 2020, atribuído ao Instituto de Ciências Sociais e Humanas, localizado em Valparaíso de Goiás.
É justamente a data que levou o autor da publicação a levantar uma das principais perguntas: se a conclusão ocorreu em 2020, por que na eleição de 2022 a escolaridade ainda teria sido informada como ensino médio completo?
Rosas também questiona as circunstâncias em que o curso teria sido realizado e sustenta que seria necessário esclarecer a instituição responsável pela formação, a modalidade do curso e a documentação acadêmica correspondente.
Outra publicação que repercutiu o caso destacou os mesmos questionamentos e apontou que a controvérsia envolve principalmente a necessidade de comprovação documental da trajetória acadêmica atribuída à governadora.
Informação de que Mailza teria estudado na Ufac também é contestada
A publicação chama atenção ainda para referências encontradas na internet que associariam a formação de Mailza à Universidade Federal do Acre (Ufac).
Leonildo Rosas afirma que sua apuração não encontrou elementos que sustentassem que a graduação em Pedagogia tivesse ocorrido na universidade federal acreana. O questionamento, portanto, não se limita à existência de uma formação superior, mas também à origem das informações que passaram a circular sobre onde essa graduação teria sido realizada.
Há, por outro lado, publicações anteriores apresentando Mailza como formada em Pedagogia e possuidora de MBA em Políticas Públicas, embora essas reportagens não resolvam as dúvidas documentais levantadas agora.
Dados de 2026 registram superior completo
O que pode ser afirmado objetivamente neste momento é que os dados eleitorais referentes à candidatura de Mailza Assis ao Governo do Acre em 2026 apresentam sua escolaridade como “superior completo”.
Esse mesmo grau de instrução aparece em diferentes plataformas que reproduzem informações do DivulgaCand/Justiça Eleitoral.
Inclusive, levantamento publicado em agosto sobre a escolaridade dos candidatos ao Governo do Acre colocou Mailza entre os concorrentes que declararam possuir formação superior completa.
Isso, entretanto, não responde sozinho aos questionamentos levantados sobre o certificado específico mencionado pelo jornalista.
Questionamento não significa comprovação de irregularidade
É importante estabelecer uma diferença fundamental.
Até o momento, não localizamos decisão do Ministério da Educação, da Justiça Eleitoral ou de outro órgão competente declarando que a formação acadêmica de Mailza Assis seja falsa ou irregular.
O que existe publicamente é um questionamento jornalístico sobre possíveis divergências documentais e cronológicas.
Para que se possa falar em eventual irregularidade como fato comprovado, seria necessário verificar diretamente o certificado apresentado, o histórico acadêmico, a instituição responsável pelo curso, seu credenciamento e reconhecimento perante os órgãos educacionais competentes, além das informações efetivamente entregues à Justiça Eleitoral em cada eleição.
Portanto, o caso deve ser tratado neste momento como uma cobrança por esclarecimentos, e não como comprovação de diploma falso.
Caso pode ganhar novos desdobramentos
A repercussão ocorre em plena campanha eleitoral de 2026, período em que documentos, declarações patrimoniais, escolaridade e antecedentes dos candidatos naturalmente recebem maior escrutínio público.
Mailza Assis disputa o Governo do Acre pelo Progressistas, tendo Jéssica Sales como candidata a vice. Seu registro aparece atualmente como deferido pela Justiça Eleitoral.
Diante dos questionamentos, uma manifestação da própria governadora ou de sua assessoria, acompanhada da documentação acadêmica correspondente, poderia esclarecer de maneira objetiva onde, quando e em quais condições ocorreu a graduação declarada.
Enquanto isso não acontece, permanece a pergunta levantada pela publicação: como conciliar a conclusão de Pedagogia atribuída a 2020 com a informação de ensino médio completo apontada pelo jornalista em relação à candidatura de 2022?
A resposta depende de documentação e de esclarecimentos oficiais. Até que esses elementos sejam apresentados ou analisados pelas autoridades competentes, qualquer afirmação de falsidade ou fraude ultrapassaria aquilo que as informações disponíveis permitem concluir.

