FONTE: CONTILNET
Lucas de Aragão, da Arko Advice, aponta os principais temas que podem ser explorados pelas campanhas na tentativa de conquistar eleitores indecisos na reta final da disputa presidencial
A disputa pela Presidência da República entra em uma nova fase após a definição do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a campanha novamente nas ruas, os dois candidatos devem concentrar esforços não apenas na mobilização de suas bases, mas principalmente na tentativa de conquistar eleitores que ainda podem mudar de posição.
Em entrevista ao programa Hora H, da CNN Brasil, o cientista político Lucas de Aragão, sócio da consultoria Arko Advice, analisou quais assuntos podem ganhar maior protagonismo ao longo do segundo turno. Na avaliação do especialista, economia, Supremo Tribunal Federal (STF), corrupção e a gestão da pandemia estão entre os temas com potencial para ocupar espaço no confronto político entre as duas candidaturas.
Segundo Aragão, Flávio Bolsonaro deverá intensificar principalmente o discurso relacionado à situação econômica do país, abordando questões como endividamento e defendendo um novo modelo de política econômica. Para o analista, a economia representa um dos principais campos de disputa desta etapa da eleição.
A estratégia tende a buscar associar as dificuldades econômicas enfrentadas por parte da população ao atual governo e apresentar uma proposta alternativa para os próximos quatro anos. O custo de vida, o endividamento das famílias e a percepção sobre a capacidade do governo de produzir melhora econômica podem, portanto, aparecer com frequência nos discursos e debates.
Além da economia, Lucas de Aragão acredita que Flávio Bolsonaro deverá explorar questões relacionadas ao STF e à corrupção. Esses assuntos já estiveram presentes no discurso político do candidato e de seus aliados ao longo do processo eleitoral e podem ganhar ainda mais espaço no segundo turno.
Do outro lado, Lula também dispõe de temas que podem ser utilizados para confrontar seu adversário. De acordo com Aragão, um deles é a pandemia de Covid-19 e a atuação do governo de Jair Bolsonaro durante a crise sanitária.
O cientista político afirmou que levantamentos realizados pela Arko Advice indicam que a pandemia ainda aparece como um tema relevante entre pessoas que rejeitam a candidatura de Flávio Bolsonaro. Dessa forma, a campanha petista pode tentar recuperar episódios daquele período e associá-los politicamente ao candidato do PL.
Campanhas devem rever estratégias após primeiro turno
A análise também aborda os movimentos internos da campanha de Lula após o resultado das urnas. Segundo Aragão, diferentes setores ligados ao governo e ao PT passaram a discutir as razões para o desempenho obtido no primeiro turno e possíveis mudanças necessárias para a etapa decisiva.
O especialista relatou que há avaliações distintas dentro do campo governista. Enquanto alguns integrantes atribuem problemas à comunicação da campanha, outros discutem questões econômicas, como os juros, e há setores que fazem críticas ao processo de tomada de decisões dentro do núcleo político do presidente.
Na avaliação de Aragão, o resultado do primeiro turno obriga a campanha governista a realizar ajustes e reavaliar estratégias para a disputa final.
O cenário também coloca Flávio Bolsonaro diante do desafio de ampliar sua votação para além do eleitorado já identificado com o bolsonarismo. Durante a campanha, a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice foi interpretada pelo próprio Aragão como um indicativo de que temas relacionados à corrupção e ao INSS poderiam receber destaque na estratégia eleitoral da chapa.
Segundo turno tende a intensificar confronto político
Com a eleição entrando na fase decisiva, as campanhas passam a disputar um eleitorado mais restrito e, ao mesmo tempo, decisivo. Além de tentar convencer indecisos, Lula e Flávio precisam preservar os votos conquistados no primeiro turno e buscar apoio entre eleitores de candidatos que ficaram fora da disputa.
Nesse ambiente, debates, entrevistas, alianças políticas e acontecimentos das próximas semanas podem influenciar as estratégias adotadas pelas duas campanhas.
A análise de Lucas de Aragão indica que os candidatos devem partir de campos distintos: Flávio Bolsonaro buscando enfatizar economia, STF e denúncias relacionadas à corrupção, enquanto Lula pode explorar a memória da pandemia e tentar defender o desempenho de seu governo.
Assim, mais do que uma repetição do primeiro turno, a nova etapa da eleição presidencial tende a produzir uma campanha de confronto direto entre dois projetos políticos, na qual cada lado buscará explorar as vulnerabilidades do adversário e convencer a parcela do eleitorado que ainda pode definir seu voto até o dia da decisão nas urnas.

