Disputa por votos de Antônia Lúcia provoca tensão entre aliados de Mailza e pode mudar bancada federal do Acre

FONTE: AC 24 HORAS

Possível validação de 6.127 votos da parlamentar do MDB pode beneficiar Ney Amorim e ameaçar vaga de Zé Adriano; Federação PT/PCdoB/PV afirma que mandato de Perpétua Almeida não está em risco

A disputa judicial envolvendo os 6.127 votos recebidos pela deputada federal Antônia Lúcia (MDB) nas eleições de 4 de outubro abriu um novo capítulo de divergências políticas no Acre. O impasse, que poderá provocar mudanças na composição da bancada federal, também expôs um conflito de interesses entre partidos que integram a base de sustentação da governadora Mailza Assis Cameli (PP), candidata à reeleição no segundo turno.

O que inicialmente parecia uma discussão restrita à Justiça Eleitoral ganhou proporções políticas, colocando MDB, Progressistas e União Brasil em posições divergentes. Embora as três legendas estejam alinhadas ao projeto de reeleição da governadora, a possibilidade de redistribuição das cadeiras na Câmara dos Deputados passou a representar um ponto de atrito entre seus principais representantes.

No centro da controvérsia está a situação jurídica de Antônia Lúcia, que teve o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC). Caso seus votos venham a ser reconhecidos como válidos, a Justiça Eleitoral poderá precisar refazer os cálculos utilizados na distribuição das oito vagas destinadas ao Acre na Câmara Federal.

Ney Amorim pode ser beneficiado e Zé Adriano corre risco de perder vaga

Uma das principais consequências apontadas nos bastidores políticos é a possibilidade de o MDB conquistar uma segunda cadeira na Câmara dos Deputados.

Atualmente, conforme a totalização das eleições, o partido garantiu a eleição de Pedro Longo. Entretanto, com uma eventual revisão dos resultados, Ney Amorim, que não conseguiu se eleger inicialmente, poderia ser beneficiado pela nova distribuição das vagas.

Em contrapartida, a Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, poderia perder uma das quatro cadeiras conquistadas nas urnas.

Pela configuração inicialmente definida, o grupo elegeu Socorro Neri e Zé Adriano, pelo Progressistas, além de Fábio Rueda e Coronel Ulysses, pelo União Brasil.

Nas projeções políticas que circulam em torno da disputa judicial, Zé Adriano aparece como o parlamentar que poderia ser diretamente atingido por uma eventual recontagem.

Presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac), Zé Adriano é considerado um importante aliado da governadora Mailza Assis. Por outro lado, Ney Amorim também mantém proximidade política com a chefe do Executivo e com seu marido, Madson Cameli.

Dessa forma, uma eventual mudança na bancada federal poderia provocar consequências que ultrapassam a disputa eleitoral, atingindo diretamente a relação de forças entre os partidos governistas.

Federação de esquerda garante que vaga de Perpétua Almeida não será atingida

Diante das especulações sobre possíveis alterações na bancada acreana, a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, divulgou nesta quarta-feira (7) uma nota pública para esclarecer a situação da deputada federal eleita Perpétua Almeida (PCdoB).

A manifestação ocorreu após surgirem informações de que a parlamentar poderia perder sua cadeira caso os votos de Antônia Lúcia fossem validados.

No comunicado, a federação rejeitou essa possibilidade e sustentou que a vaga conquistada por Perpétua, resultado dos 46.510 votos atribuídos à federação, não estaria ameaçada pela discussão judicial.

O grupo também criticou a tentativa de associar a parlamentar ao conflito entre MDB e União Progressista, classificando a situação como uma estratégia para transferir à oposição um problema existente entre os próprios aliados da governadora.

Segundo a federação, o eventual reconhecimento dos votos de Antônia Lúcia teria consequências sobre a distribuição das cadeiras entre os partidos envolvidos diretamente na disputa, sem comprometer o mandato conquistado pelo PCdoB.

Indeferimento de Antônia Lúcia é principal obstáculo jurídico

A discussão tem origem na decisão do TRE-AC que indeferiu o registro de candidatura de Antônia Lúcia.

A parlamentar recebeu 6.127 votos, mas a situação jurídica de sua candidatura impede, até o momento, que essa votação produza os efeitos pretendidos pelo MDB na distribuição das cadeiras.

A Federação PT/PCdoB/PV destacou que a decisão do tribunal acreano foi unânime e manifestou confiança na manutenção do entendimento pela Justiça Eleitoral.

Apesar dessa avaliação, a palavra final sobre a situação jurídica da candidatura e seus possíveis efeitos eleitorais depende das instâncias competentes.

No sistema proporcional brasileiro, a quantidade de votos obtida individualmente por um candidato não é o único fator que determina sua eleição. A distribuição das cadeiras considera também a votação total dos partidos e federações, o quociente eleitoral e as regras de distribuição das vagas remanescentes.

Por isso, a eventual inclusão de votos anteriormente desconsiderados pode modificar os cálculos e, dependendo dos resultados, alterar a relação de candidatos eleitos.

Divergências surgem em momento decisivo para Mailza Assis

O momento político torna a disputa ainda mais delicada para o grupo governista.

Com Mailza Assis enfrentando o segundo turno da eleição para o Governo do Acre, a expectativa entre seus aliados seria de união partidária e concentração de esforços na campanha.

Entretanto, a possibilidade de um partido aliado conquistar uma cadeira às custas de outro integrante da mesma base colocou interesses eleitorais e políticos em rota de colisão.

O MDB busca uma decisão favorável que permita o aproveitamento dos votos de Antônia Lúcia e, consequentemente, abra caminho para uma possível eleição de Ney Amorim.

Já o Progressistas e o União Brasil têm interesse na preservação da atual distribuição de vagas, evitando que uma alteração nos cálculos comprometa a representação conquistada pela federação.

A situação revela uma disputa interna que poderá exigir articulação política para evitar que o embate judicial produza desgastes nas relações entre as legendas durante a reta final da campanha estadual.

PT, PCdoB e PV apontam conflito dentro da base governista

Na nota divulgada nesta quarta-feira, a Federação Brasil da Esperança também relacionou a controvérsia ao ambiente político que envolve o segundo turno.

Para os partidos de esquerda, a tentativa de colocar em dúvida a eleição de Perpétua Almeida serviria para deslocar a atenção das divergências entre MDB, PP e União Brasil.

A federação reafirmou confiança na Justiça Eleitoral e defendeu que a decisão sobre a candidatura de Antônia Lúcia seja analisada com base na legislação e nos elementos jurídicos do processo, independentemente dos interesses partidários envolvidos.

O posicionamento acrescenta um novo componente ao episódio, uma vez que a oposição passou a explorar politicamente as divergências entre as legendas que apoiam a governadora.

Decisão da Justiça Eleitoral será determinante

Apesar das especulações e das projeções sobre quem poderá ganhar ou perder uma cadeira na Câmara Federal, nenhuma alteração na composição da bancada acreana está definida.

O cenário que envolve uma possível entrada de Ney Amorim e a saída de Zé Adriano permanece condicionado à eventual validação dos votos de Antônia Lúcia e à realização de novos cálculos pela Justiça Eleitoral.

Até que exista uma decisão definitiva, continua prevalecendo a distribuição de vagas estabelecida na totalização das eleições de 4 de outubro.

Enquanto isso, a disputa promete continuar movimentando os bastidores políticos do Acre, especialmente por envolver lideranças de partidos que, embora estejam reunidos em torno da candidatura de Mailza Assis, possuem interesses distintos quando o assunto é a representação do estado na Câmara dos Deputados.

O episódio evidencia que a unidade eleitoral da base governista não elimina as disputas por espaço e poder entre seus integrantes. Em meio à corrida pelo Palácio Rio Branco, uma controvérsia envolvendo pouco mais de seis mil votos poderá se transformar em um dos principais desafios políticos para a manutenção da harmonia entre os aliados da governadora.

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