Perda de protagonismo de Gladson Cameli no Progressistas marca mudança de comando no Acre

O desgaste com investigações e a derrota ao Senado escanteiam o ex-governador, enquanto Mailza Assis se consolida como a liderança máxima da legenda e do Estado.

A ascensão definitiva de Mailza Assis (PP) no comando do Poder Executivo acreano e no próprio Progressistas (PP) não apenas redefiniu os rumos do governo do Estado, mas sacramentou uma virada na correlação de forças políticas locais: o ex-governador Gladson Cameli (PP) perdeu espaço de decisão e o histórico protagonismo que exerceu na legenda ao longo do último ciclo político.

Figura central na vitória da coligação em pleitos passados e articulador da aliança que o elegeu em 2018 e 2022, Gladson viu seu peso político enfraquecer progressivamente à medida que avançavam as apurações de desdobramentos judiciais.

Com o desgaste decorrente da Operação Ptolomeu — que resultou no seu desdobramento e no indeferimento de seu registro de candidatura e na consequente derrota à vaga no Senado —, o ex-gestor perdeu tração eleitoral. O eleitorado acreano, embora tenha dado um voto de continuidade ao seu projeto de governo ao eleger Mailza, impôs um veto claro à tentativa de Gladson de retornar a Brasília.

O deslocamento do eixo de poder

O enfraquecimento da liderança de Gladson dentro do PP acelerou-se com a transição de governo e a estratégia para a campanha de 2026:

  • Soberania no Palácio Rio Branco: Ao assumir o governo em abril de 2026, Mailza Assis deixou a condição de vice para imprimir agenda e ritmo próprios à máquina pública. A governadora passou a capitanear as negociações diretas do partido, esvaziando a influência antes centralizada em Gladson.
  • Independência nas urnas: A expressiva vitória no segundo turno garantiu a Mailza um mandato legitimado pelas urnas em todos os 22 municípios acreanos, afastando a dependência do capital político e da imagem do antecessor.
  • Redesenho partidário: O fracasso na tentativa de eleger Gladson ao Senado colocou o ex-governador em uma inédita posição de coadjuvante no cenário estadual. A hegemonia do Progressistas passa agora, de forma exclusiva, pelo controle e pelas alianças formadas sob a chancela da governadora e de sua nova base aliada.

Sem mandato a partir de 2027 e com a consolidação do novo grupo político encabeçado por Mailza, a bancada e as instâncias decisórias do PP no Acre passam a responder ao novo centro de gravidade no Palácio Rio Branco, selando o encerramento do ciclo de hegemonia direta exercido por Gladson Cameli.

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