Despedida reuniu familiares, amigos, profissionais da saúde e moradores do Alto Acre. Cortejo passou pelo Hospital Raimundo Chaar antes do sepultamento no cemitério São João Batista.
A cidade de Brasiléia viveu momentos de profunda tristeza e emoção nesta quarta-feira (4), durante o último adeus à médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada a tiros na noite de segunda-feira (2). O sepultamento ocorreu no cemitério municipal São João Batista, após uma série de homenagens que também foram marcadas pela indignação e por pedidos de justiça.
Familiares, amigos, colegas de profissão e moradores da região se reuniram para se despedir da profissional, cuja morte abalou a população do Alto Acre e ganhou repercussão em todo o estado.
O corpo da médica foi velado na Igreja MBCI, em Brasiléia, onde as homenagens tiveram início na noite de terça-feira (3). Durante a cerimônia, uma fotografia de Elyne foi exibida em um telão, enquanto pessoas próximas prestavam solidariedade à família.
Na quarta-feira, um culto religioso antecedeu o cortejo fúnebre, que deixou a igreja por volta das 17h30, acompanhado por veículos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e do Corpo de Bombeiros.
Homenagem no Hospital Raimundo Chaar marcou a despedida
Um dos momentos mais significativos ocorreu durante a passagem do cortejo pelo Hospital Regional do Alto Acre, conhecido como Hospital Raimundo Chaar, unidade onde Elyne também construiu parte de sua trajetória profissional.
No local, familiares e colegas de trabalho prestaram homenagens à médica, recordando sua dedicação ao exercício da medicina e sua convivência com os demais profissionais da saúde.
A soltura de balões brancos e a queima de fogos fizeram parte das manifestações realizadas durante a despedida. Os gestos também simbolizaram um protesto contra a violência praticada contra as mulheres e um pedido por justiça.
Depois da homenagem, o cortejo seguiu pelas ruas da cidade até o cemitério São João Batista, onde o corpo da médica foi sepultado.
A despedida foi acompanhada por manifestações de pesar, solidariedade e indignação diante das circunstâncias em que Elyne perdeu a vida.

Uma profissional dedicada ao cuidado com a população
Elyne de Assis Nogueira integrava o quadro de servidores da Prefeitura de Brasiléia e atuava na Unidade de Saúde Dr. Ricardo Barbosa da Silva. A médica também era estudante do mestrado profissional em Saúde da Família, vinculado à Universidade Federal do Acre (Ufac).
Sua morte provocou manifestações de pesar de instituições públicas e entidades ligadas à medicina. A Prefeitura de Brasiléia chegou a suspender temporariamente os atendimentos nas unidades municipais de saúde em sinal de luto.
O Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) também repudiou o assassinato e defendeu uma investigação rigorosa para identificar e responsabilizar os envolvidos.
Crime segue sob investigação e levanta questionamentos sobre a proteção às mulheres
A médica foi assassinada enquanto estava acompanhada de amigos na área externa de um estabelecimento comercial localizado no Centro de Brasiléia.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um homem utilizando capacete se aproximou do local, efetuou disparos contra a vítima e fugiu.
A Polícia Civil investiga o crime como possível feminicídio e apura a suspeita de que o assassinato tenha sido planejado.
O advogado e procurador municipal Francisco Valadares Neto, ex-companheiro da médica, é investigado por suspeita de envolvimento na organização do crime. Nesta quarta-feira (4), a Justiça determinou sua prisão preventiva. Ele permanece internado em Rio Branco, após ter sido encontrado desacordado em sua residência na terça-feira (3).
Outro aspecto que provocou indignação foi a confirmação de que Elyne já havia denunciado ameaças e possuía uma medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro. A situação ampliou os questionamentos sobre a efetividade dos mecanismos de proteção destinados às mulheres ameaçadas.
Despedida marcada pela dor e pela cobrança por justiça
Durante as homenagens, familiares manifestaram indignação com as circunstâncias que antecederam a morte da médica. O sentimento de revolta se somou à tristeza de uma comunidade que acompanhou os desdobramentos de um crime que poderia representar mais um caso de violência extrema contra a mulher.
O sepultamento encerrou as cerimônias de despedida, mas não as cobranças por respostas das autoridades.
Para familiares, amigos e colegas, permanece a lembrança de uma profissional que dedicou parte de sua vida ao cuidado com outras pessoas.
Para Brasiléia, fica também uma reflexão dolorosa: a necessidade de transformar a indignação diante da violência contra as mulheres em medidas concretas de proteção, prevenção e responsabilização.
Elyne foi sepultada, mas o clamor por justiça continua.
FOTOS: JORNAL O ALTO ACRE

