Pesquisadores confirmaram três avistamentos da espécie em Cobija, no departamento boliviano de Pando, entre 2025 e 2026. Descoberta amplia o conhecimento sobre a biodiversidade da região amazônica e reforça a importância da preservação dos rios fronteiriços.
A presença do boto-cor-de-rosa amazônico (Inia geoffrensis) foi documentada cientificamente pela primeira vez na Bolívia, após pesquisadores identificarem três registros da espécie nas águas do Rio Acre, no município de Cobija, capital do departamento de Pando, que faz fronteira com o estado brasileiro do Acre.
A descoberta representa um avanço importante para os estudos sobre a fauna aquática da Amazônia e chama atenção para a riqueza ambiental compartilhada entre Brasil e Bolívia, especialmente na região de fronteira.
De acordo com informações divulgadas pela Wildlife Conservation Society (WCS) Bolívia, os registros ocorreram entre abril de 2025 e maio de 2026, envolvendo pesquisadores, organizações ambientais e pescadores que vivem às margens do Rio Acre.
Primeiros avistamentos ocorreram em Cobija
O primeiro registro aconteceu no dia 27 de abril de 2025, nas proximidades do bairro Junín, em Cobija. Na ocasião, dois exemplares foram observados durante uma atividade do Desafio Cidade Natureza, iniciativa voltada ao reconhecimento e à documentação da biodiversidade.
Meses depois, em novembro de 2025, pescadores relataram um novo avistamento nas proximidades de Puerto Alto, também na região de Cobija.
O terceiro registro ocorreu em maio de 2026, nas águas próximas ao bairro Frontera, reforçando as evidências da presença desses mamíferos aquáticos no trecho boliviano do Rio Acre.
Embora os moradores e pescadores da região já possuíssem conhecimentos sobre a fauna local, a documentação científica representa um passo importante para ampliar os estudos sobre a distribuição geográfica da espécie.
Pescadores ajudaram pesquisadores a identificar a espécie
A investigação reuniu especialistas do Programa de Conservação Amazônica Shimanú, do Instituto de Ecologia da Universidade Mayor de San Andrés (UMSA), da organização Juventude Proativa da Amazônia e da Wildlife Conservation Society (WCS) Bolívia.
O trabalho também contou com a participação de pescadores, considerados fundamentais para a coleta de informações sobre o comportamento e a ocorrência dos animais.
Entre maio e junho de 2026, os pesquisadores entrevistaram 34 pescadores dos bairros e comunidades de San Pedro, Junín e Brisas del Acre.
Alguns dos entrevistados possuem mais de 30 anos de experiência na atividade pesqueira e contribuíram com relatos sobre os locais e as circunstâncias em que os botos foram observados.
Esses conhecimentos ajudam os cientistas a compreender melhor a presença da espécie em uma região onde ainda existem lacunas de informações sobre os mamíferos aquáticos.
Conheça o boto-cor-de-rosa, um dos símbolos da Amazônia
O boto-cor-de-rosa é um mamífero aquático de água doce encontrado na bacia amazônica e conhecido por suas características físicas e sua importância ecológica.
Diferentemente dos peixes, o boto precisa subir periodicamente à superfície para respirar, pois possui pulmões. Sua alimentação é composta principalmente por peixes, desempenhando papel importante no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
A coloração dos animais pode variar entre tons acinzentados e rosados, sendo que os adultos, especialmente os machos, podem apresentar uma tonalidade rosa mais intensa.
Além de sua importância ambiental, o boto faz parte da cultura e do imaginário popular amazônico, estando presente em lendas e tradições transmitidas entre gerações.
Descoberta reforça importância ambiental do Rio Acre
A confirmação científica da presença dos botos nas águas de Cobija amplia a importância do Rio Acre para a conservação da biodiversidade amazônica.
O rio desempenha papel fundamental para comunidades brasileiras, bolivianas e peruanas, atravessando uma região marcada por relações históricas, econômicas, culturais e ambientais.
Na região do Alto Acre, onde estão municípios como Brasiléia, Epitaciolândia e Assis Brasil, a descoberta também desperta interesse pela proximidade geográfica e pela conexão entre os ecossistemas fluviais compartilhados pelos países.
Os pesquisadores destacam, entretanto, que ainda são necessários novos estudos para determinar quantos animais vivem nesse trecho do rio, quais são suas rotas de deslocamento e se permanecem na região durante todo o ano ou apenas em determinados períodos.
Outro aspecto importante será compreender como as mudanças no nível das águas e as condições ambientais podem influenciar a presença dos botos.
A descoberta abre caminho para novas pesquisas e possíveis iniciativas de conservação, envolvendo instituições científicas, autoridades ambientais e comunidades ribeirinhas.
Mais do que um registro científico, a identificação dos botos-cor-de-rosa no Rio Acre reforça a necessidade de proteger os recursos naturais compartilhados entre Brasil e Bolívia, garantindo a preservação de uma das espécies mais emblemáticas da fauna amazônica.
Fonte: Wildlife Conservation Society (WCS) Bolívia, com base nas informações sobre os registros científicos realizados entre 2025 e 2026.

